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Indústria automóvel perde 80 mil empregos com perspetivas negras para os próximos anos

Duas associações automóveis alemãs alertaram hoje para a quebra das vendas de carros a nível global, e anteciparam mais reduções de empregos no setor. Segundo a Bloomberg, a indústria planeia cortar, no total, mais de 80 mil empregos nos próximos anos.

Sara Matos/Negócios
Rita Faria afaria@negocios.pt 04 de Dezembro de 2019 às 14:21
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2019 está a revelar-se um dos anos mais negros para os trabalhadores da indústria automóvel, com a queda da procura e as transformações tecnológicas a levarem as fabricantes a reverem as suas estruturas de custos.

Só na semana passada, a Daimler e a Audi anunciaram cortes de quase 20 mil trabalhadores, juntando-se a empresas como a General Motors, a Ford e a Nissan que, ao longo do último ano, revelaram planos para cortar de forma significativa a sua força de trabalho.

Segundo cálculos da Bloomberg, as fabricantes automóveis planeiam eliminar, no total, mais de 80 mil empregos nesta indústria nos próximos anos. E embora os cortes se concentrem na Alemanha, nos Estados Unidos e no Reino Unido, economias de mais rápido crescimento, como a China, também não estão imunes, continuando a ser afetadas pelo desinvestimento das grandes marcas nessas regiões.

Num contexto de tensões comerciais, subida das tarifas e desafios impostos pelas novas tendências, como a condução autónoma e os veículos elétricos, as perspetivas para os próximos anos não são animadoras.

E os alertas chegam de várias frentes: esta quarta-feira, duas associações alemãs do setor anteciparam quebras nas vendas, enquanto a IHS Markit previu que a indústria automóvel produzirá 88,8 milhões de veículos este ano, uma queda de quase 6% em relação a 2018.

A par da produção, também as vendas globais deverão registar uma descida face ao ano passado. Esta quarta-feira, a Associação Alemã da Indústria Automóvel (VDA) antecipou uma descida das vendas globais de 5% – a mais pronunciada desde a crise financeira - para um total de 80,1 milhões de veículos, em 2019, e mais cortes de empregos em 2020.

"A concorrência está a ficar mais apertada, e as contrariedades estão a aumentar", afirmou o presidente da VDA, Bernhard Mattes, citado pela Reuters, acrescentando que as vendas deverão voltar a descer no próximo ano, para 78,9 milhões de carros, o nível mais baixo desde 2015.

Quanto ao corte de empregos, Mattes espera que, na Alemanha, seja "mais pronunciado em 2020", acrescentando que só a transformação tecnológica poderá eliminar 70 mil postos de trabalho na próxima década.

Também a Associação de Fabricantes Automóveis Internacionais (VDIK) estimou hoje que as vendas de carros novos na Alemanha deverão cair 6,2% para 3,35 milhões em 2020, enquanto as vendas de automóveis elétricos deverão aumentar 60% para 160 mil unidades.

 

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