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Macron espera que a sua eleição seja o início do renascimento europeu

Na primeira entrevista desde a eleição como presidente da França, Emmanuel Macron considera que a sua vitória "é o início de um renascimento francês" e diz esperar que também europeu.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 21 de Junho de 2017 às 20:56
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"A minha eleição é o início de um renascimento europeu e, espero, europeu", é uma das mais marcantes afirmações feitas por Emmanuel Macron na primeira entrevista concedida desde a sua vitória nas presidenciais francesas.

 

Na entrevista dada a oito diários europeus, entre os quais o Le Soir, o Corriere della Sera, o Guardian ou o El País, o presidente gaulês frisou a sua veia europeísta mostrando-se disponível para ajudar a liderar um movimento de refundação da França e também da Europa.

 

Numa altura em que as democracias liberais se vêem ameaçadas pelo cansaço do eleitorado relativamente às ineficiências e desigualdades provocadas pela mundialização, ou pela insegurança provocada pela ameaça terrorista, Macron defende que "a questão passa por saber como conseguiremos restabelecer a dinâmica, a capacidade de convencer, porque não se trata apenas de aplicar políticas em países ou povos".

 

Macron admite que, para liderar tal processo a França, precisa não só de assumir "um discurso claro", mas também de "fortalecer a sua economia e sociedade", como tal diz já ter pedido ao governo francês – a composição do novo Executivo foi anunciada esta quarta-feira – que "inicie reformas fundamentais". Deu o exemplo da Alemanha, "que se reformou há 15 anos", para sustentar a necessidade de também a França promover reformas à sua economia.

 

No fundo, Emmanuel Macron defende "voltar ao espírito de cooperação que existia no passado entre François Miterrand e Helmut Kohl", numa clara afirmação da intenção do presidente gaulês em reavivar o eixo franco-alemão como leme para uma Europa mais coesa. Garantiu que a própria Alemanha compreende que não poderá continuar a liderar sozinha a Europa ao afirmar que Berlim "está muito consciente dos limites de uma acção que não seja completamente europeia".

 

Num momento também muito marcado pelo regresso dos nacionalismos à agenda política nas democracias europeias, mas também nos Estados Unidos, Macron, que durante a campanha presidencial citou Miterrand ao dizer que "o nacionalismo é guerra", o presidente gaulês reiterou que "os egoísmos nacionais são venenos lentos que continuam a debilitar as nossas democracias e a nossa capacidade colectiva". "Sei que a chanceler [alemã Angela Merkel] está consciente disso mesmo", atirou.

 

Em relação ao Brexit, cuja negociação formal foi iniciada na presente semana, Macron insistiu na ideia de que "a porta está aberta até ao momento em que é atravessada", ou seja, o líder do movimento centrista República em Marcha mantém em aberto a possibilidade de o Reino Unido recuar relativamente à saída da União. "Não me cabe a mim dizer que [a porta] está fechada", acrescentou.

 

Ainda assim, admitiu que a partir do momento em que as negociações começam, e em que os primeiros objectivos estejam definidos, "é difícil voltar atrás". Assim, perante a aparente inevitabilidade do Brexit, Macron defende que Paris e Londres continuem a cooperar, designadamente em áreas como a defesa e o combate ao terrorismo.

 

Concretamente acerca das negociações para a concretização da saída britânica da UE, Macron exige "discussões completamente coordenadas ao nível europeu. Não quero discussões bilaterais, porque os interesses da UE têm de ser preservados no curto, médio e longo prazo". 

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