União Europeia Parlamento britânico aprova emenda para tentar evitar Brexit sem acordo

Parlamento britânico aprova emenda para tentar evitar Brexit sem acordo

Por uma inesperada margem de 41 votos, os deputados britânicos aprovaram uma emenda que impede a suspensão dos trabalhos parlamentares entre 9 de outubro e 18 de dezembro, cenário defendido por Boris Johnson para impedir a Câmara dos Comuns de adiar a saída da UE para evitar um Brexit desordenado.
Parlamento britânico aprova emenda para tentar evitar Brexit sem acordo
EPA
David Santiago 18 de julho de 2019 às 16:12

Boris Johnson não é ainda líder do Partido Conservador e já vê o parlamento do Reino Unido aprovar uma medida preventiva destinada a travar as suas pretensões.

Esta quinta-feira, 18 de julho, os deputados britânicos aprovaram, por uma surpreendente alargada margem de 41 votos, uma emenda que impossibilita Downing Street de suspender os trabalhos parlamentares no período compreendido entre 9 de outubro e 18 de dezembro.

Em termos práticos, a emenda que apresentada por um grupo de deputados multipartidário, liderado por dois parlamentares, um do Partido Trabalhista e outro do Partido Conservador, impede que o futuro governo britânico limite a ação da Câmara dos Comuns de forma a concretizar um Brexit sem enquadramento jurídico.

Esta é uma ação destinada a limitar a capacidade de atuação do favorito na corrida à liderança dos "tories" e consequentemente à sucessão de Theresa May na liderança do executivo britânico.

É que Boris Johnson já garantiu que, se até à data prevista (31 de outubro) para a saída do bloco europeu não tiver sido alcançado um novo acordo com a União Europeia, então o Reino Unido sairá de forma desordenada.

Foi também o próprio a admitir suspender o parlamento para evitar que os deputados, que há meses aprovaram uma emenda a rejeitar um cenário de Brexit sem acordo, inviabilizem uma saída sem enquadramento jurídico acerca do divórcio e sem acordo sobre os princípios que devem nortear a relação futura entre os dois blocos.

Já o rival de Johnson na corrida à liderança dos conservadores, Jeremy Hunt, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, é contra a ideia lançada pelo seu antecessor na chefia da diplomacia britânica que limitaria a atuação do parlamento.

Se até 31 de outubro o parlamento do Reino Unido não tiver ainda aprovado os termos do divórcio com a UE – os deputados já chumbaram três vezes o acordo de saída negociado por May com Bruxelas -, então o Brexit consuma-se sem acordo.

A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assumiu estar disposta a aditar novamente a data para consumar o Brexit se o próximo executivo britânico apresentar razões válidas.

Theresa May deve deixar a liderança dos conservadores na próxima semana.




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