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"Ferramentas para combater a última crise podem já não estar disponíveis", avisa número dois do FMI

David Lipton avisa que as medidas encontradas para lidar com a última grande crise podem não ser tão potentes na próxima recessão. Por isso, os países têm de se acautelar melhor.

Bloomberg
Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 25 de Março de 2019 às 13:10

"As ferramentas usadas para combater a grande crise financeira podem não estar disponíveis, ou não ser tão potentes, da próxima vez" - o aviso é de David Lipton, vice-diretor o Fundo Monetário Internacional, e foi deixado esta segunda-feira, na conferência "Portugal: Reforma e crescimento na Zona Euro".

O número dois do FMI foi direto aos pontos frágeis: "o espaço para uma política monetária mais acomodatícia será certamente mais limitado, os recursos orçamentais podem não estar disponíveis em muitos países, e a resistência política a resgates pode ser maior, porque muitas pessoas sentem que os responsáveis pela última crise não partilharam o esforço de ultrapassá-la".

Para David Lipton, isto implica que a responsabilidade nacional para "fazer o trabalho de casa" e tornar as economias mais robustas é ainda maior. Ao mesmo tempo, será preciso melhorar a coordenação, porque numa crise maior ela pode ser determinante.

Nesse campo, o economista argumenta que é necessária uma capacidade orçamental na Zona Euro para responder a choques macroeconómicos - uma reforma que ainda não conseguiu o acordo de todos os Estados-membros do euro. Neste momento, há apenas acordo para um orçamento dedicado à promoção de reformas estruturais e competitividade.

"Na falta disto [essa capacidade orçamental para acomodar choques] a Zona Euro vai continuar demasiado dependente da política monetária para a estabilização e um peso excessivo da resposta à crise vai recair nos países inividuais, com a sua capacidade de resposta a depender do espaço orçamental de cada um", conclui David Lipton.

Ou seja, por outras palavras, o que o número dois do FMI está a dizer é que sem essa partilha dos impactos de uma crise, os países estão mais sozinhos na hora de suportar os seus impactos.

Dando o exemplo de Itália, Lipton avisa que "uma recessão séria pode ser muito prejudicial para estes países, porque vão demonstrar estar mal preparados". Mais: "as suas fragilidades podem representar um retrocesso sério no objetivo global de convergência na Europa - de padrões de vida, produtividade, e bem estar nacional", somou.

Sobre Portugal, para além de sublinhar as conquistas que o país conseguiu nos últimos anos, com a saída da crise, David Lipton chamou a atenção para o mercado de trabalho. "Um desafio importante é injetar uma nova vitalidade no mercado de trabalho do país", frisou. "Sim, a taxa de desemprego reduziu-se marcadamente, e uma elevada proporção de empregos novos é permanente. Mas demasiados destes novos empregos pagam o salário mínimo", lamentou.

O caminho será melhorar a competitividade e continuar a orientar o país para as exportações, bem como aproveitar as melhores qualificações da população. 

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