Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Mossack Fonseca rejeita culpas por crimes dos clientes

A sociedade administradora de empresas "offshore" que está no centro de um escândalo de corrupção a nível global diz que está a ser vítima de uma "campanha internacional contra a privacidade".

Negócios jng@negocios.pt 04 de Abril de 2016 às 09:02
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...

O director da Mossack Fonseca reclamou que a "grande maioria" das mais de 240 mil empresas criadas por esta sociedade de advocacia especializada em paraísos fiscais foi usada para "propósitos legítimos", lamentando a divulgação de informação sobre os seus clientes, que já foram todos notificados deste problema.

 

"Acreditamos que há uma campanha internacional contra a privacidade. A privacidade é um direito humano sagrado, mas há pessoas no mundo que não percebem isso. Nós acreditamos decididamente na privacidade e vamos continuar a trabalhar para que a privacidade legal possa funcionar", disse Ramon Fonseca à agência Reuters.

 

O co-fundador da empresa, que é conselheiro do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, salvaguardou ainda que não pode ser responsabilizada pelas actividades dos seus clientes, detalhando que se dedicam a construir "estruturas legais para vender a intermediários", como bancos ou escritórios de advogados, e que "eles têm os seus clientes finais que não [conhece]".

 

Também num extenso comunicado publicado pelo The Guardian, a empresa com sede no Panamá que administra empresas "offshore" e faz gestão de fortunas reclamou que "legalmente e na prática é limitada a [sua] capacidade para regular o uso das empresas que incorpora e a que presta outros serviços".

 

"Não estamos envolvidos na gestão das empresas dos nossos clientes. Excluindo os pagamentos profissionais que nos são feitos, nós não tomamos posse ou temos o dinheiro dos clientes sob custódia, nem temos nada a ver com os aspectos financeiros directos relacionados com a operação destes negócios", lê-se no comunicado assinado pelo director de relações públicas, Carlos Sousa.

 

Rejeitando responder a temas particulares com o argumento de que estaria a violar as suas obrigações legais e políticas de confidencialidade, a empresa que está no centro de um esquema de corrupção à escala global e que envolve centenas de políticos e outras personalidades mundiais, deixou também a garantia de cumprimento dos protocolos internacionais para assegurar que "as empresas que [incorpora] não estão a ser usadas para evasão fiscal, lavagem de dinheiro, financiamento de terrorismo ou outros propósitos ilícitos".

Ver comentários
Saber mais Mossack Fonseca corrupção offshores impostos Panama Ramon Fonseca
Mais lidas
Outras Notícias