pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Clinton vs. Sanders: minorias estão a ser mais decisivas do que os jovens

Clinton cavou ontem um fosso mais fundo para Sanders na corrida à nomeação democrata. O domínio da ex-secretária de Estado entre as minorias étnicas anula a vantagem do senador do Vermont com os jovens.

Hillary Clinton
Hillary Clinton Bloomberg
02 de Março de 2016 às 09:50

O tornado Clinton passou pelo Sul dos Estados Unidos e trouxe consigo mais de mil delegados. Ontem, dia de Super Terça-feira ("Super Tuesday"), os democratas votaram em 11 estados e um território (Samoa Americana) e Clinton ganhou oito deles, com destaque para as vitórias no Texas (arrecadou 122 delegados), Georgia (66) e Virgina (61). No total, as contas do New York Times apontam para Clinton já ter 1.001 delegados, dos quais 457 super-delegados, enquanto Sanders tem 371 (22 deles "super"). São necessários 2.383 para garantir a nomeação do Partido Democrata.

 

A noite não foi terrível para Sanders. Foi o mais votado em quatro estados – Colorado, Minnesota, Oklahoma e Vermont, o estado que o elegeu senador – e teve direito ao primeiro discurso de vitória da noite. Contudo, ao contrário de Clinton, as vantagens com que ganhou foram magras, o que é um problema quando os delegados são atribuídos proporcionalmente. Por exemplo, a vitória em Oklahoma só lhe deu mais quatro delegados do que a Clinton. No total, os quatro estados onde teve mais votos só lhe deram mais 41. Só no Texas, Clinton conseguiu arrecadar mais 74 delegados do que Sanders.

 

Nos últimos meses foram desenhados alguns paralelismos entre Bernie Sanders e Barack Obama, com alguns comentadores a anteciparem que Clinton poderia ser surpreendida, tal como aconteceu em 2008. No entanto, entre várias diferenças entre a campanha de Obama e de Sanders, uma muito clara é a capacidade de mobilização das minorias étnicas, tanto o voto de negros, como de hispânicos. Sanders tem resultados fortes em estados maioritariamente caucasianos e liberais (New Hampshire é um bom exemplo), mas tem dificuldades noutros com maior diversidade racial ou mais conservadores.

 

Os dados das sondagens à boca das urnas divulgados pela ABC mostram duas coisas sobre as primárias realizadas ontem: Sanders continua a dominar entre os jovens; Clinton foi avassaladora entre as minorias. 63% dos eleitores entre 17 e 29 anos votaram em Sanders. Porém, apenas 15% dos negros e 36% dos hispânicos escolheu o senador do Vermont (Clinton teve 83% e 63% desses votos). O problema é que, enquanto a faixa demográfica jovem só representou 18% dos votos, negros e hispânicos somados representaram 37%. Não deixa de ser irónico que em 2008 Clinton tenha estado precisamente na pele de Sanders, vendo Barack Obama dominar por completo o voto dos afro-americanos (o eleitorado hispânico foi mais disputado).

 

De olhos postos em Trump

Estas sondagens mostram ainda que, quanto mais velhos os eleitores, mais inclinados para Clinton estão (73% dos que têm mais de 65 anos votou nela). Além disso, a ex-primeira-dama mostra-se também mais forte entre as mulheres (65% votou Clinton). Curiosamente, embora Sanders tenha posições mais "à esquerda" do que o seu partido, perdeu entre os votantes democratas (30%), mas ganhou entre os independentes (59%) e os republicanos (52%) que votaram ontem nas primárias do Partido Democrata.

 

Perante uma vantagem cada vez maior, Clinton já começa a olhar para as eleições de Novembro. No seu discurso de vitória não sublinhou qualquer diferença face a Sanders. O seu alvo foi Donald Trump: "A parada nesta eleição nunca esteve tão alta e a retórica que ouvimos do outro lado nunca foi tão baixa. Tentar dividir a América entre ‘nós’ e ‘eles’ é errado e nós não vamos deixar que isso funcione."

cotacao A parada nesta eleição nunca esteve tão alta e a retórica que ouvimos do outro lado nunca foi tão baixa. Tentar dividir a América entre 'nós' e 'eles' é errado e nós não vamos deixar que isso funcione. Hillary clinton

 

Antes, a antiga secretária de Estado, desacreditou o slogan que Trump está a tornar popular "Make America Great Again". "A América nunca deixou de ser formidável. Temos de tornar a América "inteira" (whole) – preencher o que foi tornado oco."

 

Sanders perde terreno

Análises mais finas confirmam que este pode mesmo ter sido o início do fim para Sanders. Com base na composição racial e demográfica, o site fivethirtyeight fez estimativas sobre que resultados cada candidato teria de ter para atingir metade dos delegados. Não é uma ciência exacta, mas permite perceber o que, em teoria, deveria acontecer para cada um deles ser o nomeado.

 

O que essa análise mostra é que, mesmo nos estados onde Sanders ganhou ontem, as suas margens de vitória "deveriam" ter sido maiores (caso de Minnesota, Colorado e até Vermont). Por outro lado, Clinton está a ganhar com maior diferente do que aquela que seria de esperar.  

 

"Clinton está à frente dos seus valores de referência por uma média de 16 pontos percentuais, o que é equivalente a ter uma vantagem de 16 pontos sobre Sanders nas sondagens nacionais", escreve o estatístico Nate Silver. "Sanders venceu em alguns estados onde tinha mesmo de ganhar, mas não outros, e os grandes défices que acumulou face a Clinton nos estados do Sul serão difíceis de compensar."

Hillary Clinton
Bernie Sanders Blo

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.