Mundo EUA: Trump alarga vantagem e Sanders surpreende com vitória no Michigan

EUA: Trump alarga vantagem e Sanders surpreende com vitória no Michigan

As primárias norte-americanas prosseguem e o eleitorado voltou às urnas esta terça-feira. Trump reforçou a sua liderança, enquanto Sanders dá sinais de ser capaz de dificultar a nomeação democrata de Clinton.
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Inês F. Alves 09 de março de 2016 às 10:44

Trump aumentou a margem de liderança na corrida republicana depois de vencer em três dos quatro estados que foram a votos esta terça-feira. Do lado democrata, Bernie Sanders surpreendeu ao conquistar o Michigan, prometendo dar luta nestas primárias.

Donald Trump continua inquebrantável nesta campanha, tendo vencido nesta terça-feira o 'caucus' do Hawaii e as primárias do Michigan e do Mississippi, três dos quatro estados que foram ontem a votos.

Só Idaho resistiu ao aparente charme do candidato que continua a liderar de forma incontestável a corrida republicana, tendo dado a Ted Cruz a vitória.

Assim, Trump reúne agora o apoio equivalente a 446 delegados, contra 347 de Ted Cruz e 151 de Marco Rubio, que se deixa ficar cada vez mais para trás. Para conquistar a nomeação são necessários 1.237 apoios.

Do lado democrata, Bernie Sanders mostra-se resiliente e surpreende ao conquistar a maioria dos apoios no Michigan, dando à sua campanha um novo impulso nesta corrida e diminuindo a desvantagem face a Hillary. Já a candidata democrata venceu as primárias do Mississipi.

Contas feitas, Hillary segue com um apoio equivalente ao de 759 delegados e 461 super-delegados, num total de 1.220 apoios; contra 546 delegados e 25 super-delegados de Sanders, num total de 571 apoios.

Trump, o "outsider"

O desempenho de Trump nesta terça-feira reforçou o bom momento do candidato e aumenta a pressão sobre as forças anti-Trump dentro do partido republicano para encontrar uma forma de travar a sua nomeação.  

Trump não é um candidato 
consensual entre republicanos - algo que o próprio assume -, e é considerado por muitos um "outsider", ou seja, alguém fora do sistema, o que tem funcionado a seu favor entre o eleitorado.


As próximas semanas podem ser determinantes, nomeadamente a partir de 15 de Março, altura em que começam a ir a votos estados com uma política de "winner-take-all" ou "winner-take-most", em que os vencedores conquistam todos ou a maioria dos delegados.

 

No Michigan, Trump, de 69 anos, reuniu o apoio de cristãos evangélicos, republicanos e independentes, aqueles que procuram alguém que não se enquadra no sistema político tradicional e os que estão revoltados com o funcionamento das instituições nacionais, escreve a Reuters.

"A sólida vitória no Michigan teve por base o discurso populista de trazer de volta a indústria ao país", diz Mark Meckler, um dos fundadores do movimento Tea Party, citado pela agência. Esta ideia tem particular ressonância nesta região, onde se perderam centenas de postos de trabalho na manufactura e na indústria automóvel nos últimos anos.

Em conferência de imprensa, Trump atribuiu a si mesmo o mérito de atrair novos eleitores aos partido republicano e apelou às figuras ilustres do partido que se opõem à sua candidatura a poupar o seu dinheiro - em vez de o gastarem a apoiar os seus rivais - e a concentrarem-se na luta que se segue, ou seja, no frente-a-frente presidencial contra o candidato democrata eventualmente nomeado.

"Espero que os republicanos acolham [a minha candidatura]", disse Trump. "Temos algo a acontecer que é tão bom, devemos unir-nos e unir o partido", defendeu.

No que toca aos rivais, Trump alertou Marco Rubio que "a hostilidade funciona para algumas pessoas, não para toda a gente", em referência aos ataques – até de cariz pessoal – que o rival tem vindo a fazer-lhe.

Todavia, a sua atenção está especialmente concentrada em Cruz, que se vai afirmando progressivamente como a alternativa mais natural ao milionário. "Cruz vai ter um tempo difícil", disse. "Ele raramente me vence", acrescentou.

Bernie Sanders dá luta

Escreve a Bloomberg que Hillary Clinton esperava uma vitória fácil no Michigan, tendo sido depois surpreendida com uma luta renhida, da qual o social-democrata Bernie Sanders saiu vitorioso, mostrando que tem o potencial para abrandar a conquista da nomeação da ex-secretária de Estado norte-americana.

"Estou grato às pessoas do Michigan por desafiarem os especialistas e as sondagens e nos garantirem o seu apoio. Esta é uma noite importante e crítica", disse, salientando que o que aconteceu aqui – um resultado que contraria as sondagens – é algo que "estamos a ver em toda a América".

Escreve a Bloomberg que Sanders fez várias viagens ao Michigan nas últimas semanas onde prometeu reduzir as desigualdades, e promover um sistema de saúde universal e o acesso gratuito à educação. Um discurso que a agência descreve como "mensagem populista".

Jennifer Palmieri, responsável de comunicação da campanha de Hillary Clinton, assumiu que "demograficamente, o Michigan assemelha-se muito aos estados onde o senador Sanders consegue conquistar bons resultados". Todavia, esta mostrou-se confiante na "mensagem económica" que Hillary tem para transmitir em Ohio e em Illinois, que os democratas disputam também no próximo dia 15 de Março, assim como a Flórida, o Missouri, e a Carolina do Norte.

Jeff Weaver, responsável de campanha de Sanders, antecipa, porém, que o candidato consiga reforçar o seu bom momento nas próximas semanas. "Depois de 15 de Março, em particular, [as primárias] tornam-se particularmente fortes para nós. Penso que o que assistimos até agora foi às pessoas dizer que Bernie Sanders não consegue vencer em estados muito industrializados ou com grande diversidade [demográfica]. Agora vemos que isso não é verdade", disse.




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