Qual a importância do Estreito de Ormuz... que até foi português?
O Estreito de Ormuz situa-se entre o Irão e Omã, liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e é um dos pontos geográficos estratégicos para o comércio mundial. Tem apenas 33 quilómetros de largura no ponto mais estreito, mas as rotas de navegação para os petroleiros têm apenas cerca de três quilómetros de largura em cada direção. Irão e Omã dividem a soberania do canal, através de um acordo de 1974.
Cerca de um quinto do petróleo consumido em todo o mundo passa por este estreito, assim como 20% do gás natural liquefeito consumido a nível global. Arábia Saudita, Irão, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos utilizam esta passagem para escoar petróleo e gás, principalmente para a Ásia. A Europa também importa petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo e grande parte também passa pelo estreito.
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Por ali circulam mais de 20 milhões de barris de crude por dia. Assim, quanto mais tempo durar o encerramento atual, mais sobe o preço do petróleo, mas também o preço de bens e serviços a nível mundial.
A decisão de interromper o estreito surgiu na sequência da escalada do conflito no Médio Oriente, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e à morte do Líder Supremo, o aiatola Ali Khamenei. Oficialmente, o Irão diz que encerrou a passagem na noite de 2 de março, mas antes disso já tinha avisado os navios para evitarem o estreito. Na prática, o tráfego comercial naquela região está condicionado desde domingo, 1 de março.
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A decisão do Irão não é vinculativa porque o país não controla a totalidade da rota. Uma parte das águas territoriais pertence a Omã.
Ninguém sabe quanto tempo vai durar o bloqueio, mas já está a afetar o preço do petróleo, do gás natural, os custos do transporte marítimo e das viagens. Se se prolongar, vai significar o aumento do preço da energia, ou seja, da eletricidade, o aumento dos combustíveis, dos alimentos e outros bens e serviços. Além disso, há o risco da subida da inflação e das taxas de juro dos bancos centrais, o que afeta os créditos à habitação.
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A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos criaram infraestruturas para transportar parte do petróleo bruto por outras vias. Os sauditas operam o oleoduto Este-Oeste com capacidade para transportar até 5 milhões de barris por dia.
Os Emirados têm um oleoduto ligado ao terminal de Fujairah, no Golfo de Omã, que permite transportar até três quartos da produção de petróleo, que equivale a 10% do tráfego petrolífero do estreito. E têm ainda uma ligação direta ao Qatar através do gasoduto Dolphin.
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Do lado do Irão também existem alternativas através do oleoduto Goreh-Jask inaugurado em 2021. No entanto, todas estas opções juntas não conseguem substituir o Estreito de Ormuz.
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A ilha de Ormuz esteve na posse de Portugal pouco mais de um século, entre 1515 e 1622. Na época, Afonso de Albuquerque explicou ao rei D. Manuel I o motivo que o tinha levado a sacrificar homens para controlar o estreito: “Quem domina o mar, domina as especiarias; quem domina as especiarias, domina as riquezas; quem domina as riquezas, domina o mundo”.
Persas com o apoio da Companhia Inglesa das Índias Orientais colocaram um fim ao domínio português, mas por lá ainda estão marcas da passagem lusa: as ruínas de um forte conhecidas como Portuguese Castle.
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