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China alarga excedente com os EUA em maio com importações a cair 8,5%

As importações chinesas desceram no mês em que a disputa comercial com os EUA conheceu um novo nível de confronto. O excedente face à economia norte-americana aumentou em maio, mas o saldo do ano para já é de redução.

Reuters
Negócios com Bloomberg 10 de Junho de 2019 às 10:30
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As importações chinesas desceram 8,5% e as exportações subiram 1,1% em maio de 2019, face ao mesmo mês do ano passado. Ao todo, a China registou um excedente comercial de 41,65 mil milhões de dólares, o que ficou acima das expectativas dos analistas. O excedente face aos Estados Unidos aumentou, mas o esforço de redução é notório desde o início do ano. 

Maio foi um mês em que a disputa comercial entre a China e os EUA conheceu um novo nível de confronto. A expectativa era que houvesse um acordo entre as duas principais economias do mundo, depois de um ano de tarifas no terreno. Contudo, o que se veio a verificar foi um endurecimento da disputa, com os Estados Unidos a imporem mais tarifas que foram depois retaliadas pelas autoridades chinesas. 

Um dos primeiros efeitos deste agravamento das tarifas é a antecipação das exportações chinesas para os EUA de forma a evitar as taxas no imediato. Recorde-se que, na semana passada, uma nota oficial do governo federal norte-americano revelou que os EUA deram mais duas semanas aos exportadores chineses para transportarem certos bens para território norte-americano antes de aumentarem as tarifas para 25%.

Isso parece explicar o porquê das exportações chinesas terem crescido 1,1%, ao contrário da expectativa dos analistas de uma descida em maio. As vendas aos EUA desceram, mas não tanto quanto o esperado devido a esta antecipação de importação de bens chineses por parte das empresas norte-americanas. 

Já as importações tombaram, o que reflete claramente a travagem da economia chinesa, um dado preocupante para o crescimento mundial. As importações de soja, por exemplo, caíram 12,2%. As importações de ferro e de cobre também desceram ao passo que as importações de petróleo e gás natural aumentaram.

Feitas as contas, o excedente comercial da China face aos EUA acabou por aumentar para 26,89 mil milhões de dólares em maio, mas a evolução do conjunto dos primeiros cinco meses do ano mostra que há um esforço de redução. Segundo as contas da CNBC, o saldo comercial em 2019 está 10% abaixo do nível de 2018. 

Perante estes números do comércio internacional, "Pequim deverá aumentar as medidas de estímulos [à economia] para estabilizar os mercados financeiros e o crescimento", antecipa o economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria para a Ásia, Xia Le, referindo que as exportadoras chinesas vão cortar ainda mais nas compras quando as tarifas entrarem em vigor. O governador do Banco da China, Yi Gang, disse numa entrevista na semana passada que há uma margem "enorme" para ajustar a política monetária caso a disputa comercial se agrave. 


Tudo dependerá agora do possível encontro entre o presidente norte-americano e o presidente chinês no final deste mês. Donald Trump e Xi Jinping deverão encontrar-se na cimeira do G20 em Osaka, Japão, daqui a duas semanas, para tentar dar um passo em frente na resolução da disputa comercial entre os dois países. Será também nessa altura que Trump decidirá sobre os restantes bens chineses que ainda não são alvo de tarifas.

Caso não haja resolução à vista, o consenso dos economistas da Bloomberg é de que o comércio internacional continuará a deteriorar-se, penalizando tanto a China como os Estados Unidos. 

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