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Discurso anti-imigração e apoio ao lóbi das armas: massacres deixam Trump debaixo de fogo

Dois massacres em menos de 24 horas estão a suscitar fortes críticas à política de Donald Trump por parte da oposição Democrata. Manifesto publicado online, que as autoridades suspeitam ser do alegado atirador, fala numa “invasão hispânica do Texas”.

Negócios jng@negocios.pt 04 de Agosto de 2019 às 15:22
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O pior massacre nos EUA desde Novembro de 2017, que no sábado provocou 20 mortos e 26 feridos no Texas, está a suscitar duras críticas a Donald Trump, com várias figuras do Partido Democrata a atacarem a política do presidente em relação à imigração e à posse de armas.

 

Segundo o New York Times, foi publicado online um manifesto com mensagens de ódio contra os emigrantes hispânicos, 19 minutos antes da primeira chamada de emergência a dar conta do tiroteio numa loja do supermercado Walmart, em El Paso, uma cidade do estado do Texas que fica na fronteira com o México.

 

O chefe da polícia de El Paso, Greg Allen, afirmou que as autoridades encontraram um manifesto do suspeito que indica que este poderá ser um "crime de ódio". As autoridades estão agora a tentar apurar se o texto divulgado online foi escrito por Patrick Crusius, de 21 anos, detido como o autor do massacre.

 

No texto, de 2.300 caracteres, fala-se da preparação de um ataque. "Se conseguirmos livrar-nos de um número suficiente de pessoas, então a nossa vida pode ser mais sustentável".

 

Já este domingo, um segundo tiroteio provocou a morte a dez pessoas, incluindo o atirador, e deixou 16 feridos na cidade de Dayton, no estado do Ohio. Há uma semana, três pessoas, incluindo um rapaz de 6 anos, foram mortas quando um atirador de 19 anos abriu fogo durante um festival de gastronomia de Gilroy na Califórnia, a sul de San Francisco.

 

Beto O’Rourke, que está na corrida pela nomeação presidencial Democrata, afirmou hoje que a retórica anti-imigração dos EUA está a instigar o racismo no país e contribuiu para o massacre de sábado.

 

"Tivemos um aumento dos crimes de ódio em cada um dos últimos três anos durante uma Administração que tem um Presidente que chamou violadores e criminosos aos mexicanos, apesar de os imigrantes mexicanos cometerem crimes a uma taxa inferior aos que nascem neste país", afirmou O’Rourke à CNN, segundo o The Guardian.

 

"Ele é um racista. Ele está a instigar o racismo neste país", acrescentou o antigo congressista pelo Texas que nasceu em El Paso.

 

As críticas chegam também do partido republicado. Joaquim Castro, congressista pelo Texas, escreveu no Twitter que "o ataque vil contra os hispano-americanos foi inspirado pela retórica anti-imigração e possibilitada por armas de guerra. A linguagem usada no manifesto é consistente com a descrição que o Presidente Trump faz dos imigrantes hispânicos como invasores.

 

Bernie Sanders, também candidato à nomeação democrata, criticou a liderança Republicana do Senado por estar mais preocupada em apoiar o lóbi das armas do que "em ouvir a vasta maioria do povo americano".

 

O governador de Nova Iorque, Adrew Cuomo, manifestou pesar com o "terrível tiroteio" e criticou Donald Trump por se curvar perante a National Rifle Association (NRA). "Enquanto o presidente se curva covardemente perante a NRA, a epidemia da violência armada está a destruir a nossa nação", disse.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou o tiroteio de sábado em El Paso. "O tiroteio de hoje [sábado] em El Paso, Texas, não só foi trágico como foi um ato de cobardia. Partilho com todos neste país a condenação deste odioso ato", reagiu Donald Trump, após o primeiro balanço oficial, na rede social Twitter. "Não há razões ou desculpas que alguma vez justifiquem a morte de pessoas inocentes", acrescentou o presidente norte-americano.



Também o Papa Francisco condenou este domingo, durante a missa na Praça de São Pedro, no Vaticano, os ataques contra "pessoas indefesas" e a onda de violência armada que em apenas uma semana atingiu três estados norte-americanos.

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