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EUA designam China como “manipulador cambial” pela primeira vez em 25 anos

A guerra comercial entre os EUA e a China ganhou novos contornos esta segunda-feira, depois de Pequim ter determinado a desvalorização da sua moeda, como resposta às novas tarifas comerciais anunciadas por Washington. Os EUA jogaram agora uma carta que não era usada desde 1994, que pode implicar sanções económicas.

Reuters
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 06 de Agosto de 2019 às 00:03
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O Governo americano determinou que a China está a manipular a sua moeda, revelou o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, num comunicado emitido esta segunda-feira e citado pela imprensa internacional.

 

O Banco Popular da China fixou, esta segunda-feira, a taxa de câmbio nos 6,9 yuans por dólar, o nível mais baixo desce dezembro de 2008, o que provocou uma queda acentuada da moeda chinesa, que recuou para mínimos de 11 anos. A medida surge como resposta às novas tarifas anunciadas por Trump, que já hoje acusou a China de uma "grande violação", referindo-se à desvalorização cambial.

 

Ao final do dia, o Tesouro americano emitiu um comunicado onde diz ter designado a China como "manipulador cambial" e que vai envolver o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar a concorrência desleal.

 

A legislação americana determina três critérios para identificar manipulação entre os maiores parceiros comerciais: um excedente corrente significativo, um excedente comercial elevado com os EUA, e uma intervenção persistente nos mercados, explica a Reuters.

 

Depois de designar um país manipular, o Tesouro procura ter negociações de forma a corrigir a situação, desvalorizando a moeda em causa, com penalizações, como por exemplo a exclusão dos contratos de compras governamentais dos EUA, explica a agência de informação americana.

A última vez que os EUA designaram a China como manipulador cambial, ou seja, que colocou Pequim na lista negra cambial, foi em 1994.

 

Esta designação abre portas, explica a Associated Press, a que os EUA implementam outras sanções à China.

A tensão entre os dois países tem aumentado. Depois de vários meses a negociar - e a introduzir tarifas sobre bens importados de parte a parte - os EUA anunciaram na sexta-feira que iam aplicar tarifas sobre as importações chinesas, avaliadas em 300 mil milhões de dólares. Uma decisão que provocou quedas abruptas nos mercados mundiais. 

Já esta segunda-feira veio a resposta de Pequim, com a fixação da taxa de câmbio nos 6,9 yuans por dólar. E a especulação de que a guerra comercial escale agora para uma guerra cambial disparou. 

Os investidores temem que a tensão continue a aumentar e que o mundo esteja perante uma guerra que culmine com uma recessão económica mundial, liderada precisamente pelas duas maiores potencias. Além da queda abrupta das bolsas, com Wall Street a registar a maior descida desde o final do ano passado, o comportamento das "yields" estão a fazer soar os alarmes de uma recessão económica.


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