Líder de Nova Iorque critica "ato de guerra" de Trump
Zohran Mamdani disse ter tido uma conversa telefónica "franca e direta" com Donald Trump, a quem transmitiu o seu desacordo face à "insistência numa mudança de regime" na Venezuela.
- 13
- ...
O presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, criticou o que considera ser "um ato de guerra" da administração de Donald Trump contra a Venezuela, cujo chefe de Estado foi capturado e levado para os Estados Unidos.
Em conferência de imprensa no sábado, Zohran Mamdani disse ter tido uma conversa telefónica "franca e direta" com Donald Trump, a quem transmitiu o seu desacordo face à "insistência numa mudança de regime" na Venezuela.
Num comunicado emitido no mesmo dia e publicado na sua página oficial na rede social X, o autarca disse ter sido informado sobre a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos, bem como sobre a sua "planeada detenção sob custódia federal em Nova Iorque".
O 'mayor' de Nova Iorque, eleito pelo Partido Democrata e que tomou posse na quinta-feira, lembrou que "atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação da lei federal e internacional".
A "busca por uma mudança de regime" na Venezuela "não afeta apenas quem está no estrangeiro, mas também impacta diretamente os nova-iorquinos", assinalou, recordando que "dezenas de milhares de venezuelanos" consideram Nova Iorque a sua casa.
"O meu foco é a segurança deles e a segurança de cada nova-iorquino", realçou Mamdani, prometendo que vai "continuar a monitorizar a situação e emitir orientações relevantes".
A acusação dos Estados Unidos contra Nicolás Maduro vai ser julgada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos no Distrito Sul de Nova Iorque, onde promotores do Ministério Público já haviam apresentado um processo em 2020, acusando o líder venezuelano de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes com armas automáticas.
A acusação baseia-se numa investigação da DEA (Administração de Repressão de Drogas), que identifica Maduro como líder do Cartel de los Soles, rede ligada a altas chefias militares venezuelanas que procurava enriquecer utilizando "a cocaína como arma contra os Estados Unidos".
Nicolás Maduro e a sua mulher, Cília Fortes, estão desde sábado sob custódia numa prisão federal em Brooklyn, Nova Iorque, após terem sido capturados em Caracas, capital venezuelana.
Depois de aterrar na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, aeroporto militar localizado no norte do estado de Nova Iorque, o chefe de Estado venezuelano desceu do avião militar Boeing 757 acompanhado por uma ampla operação de segurança.
Dezenas de agentes do FBI (polícia federal de investigação) e da DEA esperavam Maduro, sob uma temperatura de dois graus Celsius negativos.
O Presidente da Venezuela foi depois escoltado para uma instalação federal ligada à DEA, onde foi identificado, e transferido para o Centro de Detenção Metropolitano.
A Presidência dos Estados Unidos divulgou imagens da detenção e da transferência, mostrando Maduro a caminhar por um corredor com uma passadeira azul e com a inscrição "DEA NYD" - Administração de Repressão de Drogas do Distrito de Nova Iorque.
O líder venezuelano deverá ser presente a um juiz federal em Manhattan nos próximos dias.
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela", que capturou o Presidente venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela entregou a presidência interina à vice-presidente executiva, Delcy Rodriguez, "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação".
Não se sabe ainda quando tomará posse, mas Delcy Rodriguez, que será a primeira mulher na história do país a liderar o executivo, já exigiu "a libertação imediata" de Nicolás Maduro, "o único Presidente da Venezuela", e condenou a operação militar dos Estados Unidos.
A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação da ação dos Estados Unidos e o júbilo pela queda de Maduro.
Mais lidas