Decisão do Supremo sobre tarifas dá ganhos moderados a Wall Street. "Mercado está incerto sobre como reagir"
Os três principais índices dos EUA aplaudiram a decisão judicial, mas os analistas dizem que o interesse dos investidores pela questão é cada vez menor. Há quem acredite que as tarifas não vão ser revogadas, mas sim "recalibradas".
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As bolsas nova-iorquinas terminaram a última sessão da semana com valorizações, ainda que modestas, em reação dos investidores à decisão do Supremo Tribunal dos EUA em decretar a ilegalidade das tarifas "recíprocas" aplicadas pela Administração de Donald Trump em abril do ano passado - dia que ficou conhecido como "Dia da Libertação".
Apesar de o Presidente já ter retaliado, ao responder à anulação das tarifas com mais tarifas (de 10% a nível mundial), o sentimento de otimismo nas ações surgiu dado que a decisão da justiça pode aliviar o fardo das empresas sobrecarregadas pelos custos mais altos decorrentes destas taxas alfandegárias.
Aliás, milhares de empresas e importadores estão prestes a iniciar o que poderá ser uma longa batalha para tentar recuperar até 170 mil milhões de dólares em tarifas que já pagaram ao Estado norte-americano - embora a justiça não tenha sequer mencionado a questão dos reembolsos.
Neste contexto, o S&P 500 subiu 0,69% para 6.909,51 pontos, enquanto o industrial Dow Jones somou 0,47% para 49.625,97 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite ganhou 0,9% para 22.886,07 pontos. O índice industrial acumulou ganhos de 0,1% esta semana, ao passo que os dois outros índices subiram mais de 1%.
“Não estamos a rever a nossa perspetiva económica para os EUA, pois esperamos que as tarifas se mantenham através de outras vias”, disseram os estrategas da TD Securities, numa nota citada pela Bloomberg. “O mercado está incerto sobre como reagir, dada a falta de clareza sobre os detalhes exatos da futura ordem executiva”, acrescentaram. Outros analistas dizem que, para já, a "questão é mais política do que económica".
Michael Bailey, da FBB Capital Partners, considera que, em geral, o interesse dos investidores tanto na revisão do Supremo Tribunal como nas tarifas parece ter diminuído nos últimos meses. Bret Kenwell, da eToro, diz que é mais provável que a política das tarifas seja "recalibrada do que revogada".
Os investidores estiveram ainda a digerir os dados económicos norte-americanos. No ano passado, o produto interno bruto (PIB) subiu 2,2%, abrandando face aos 2,8% de 2024 e aos 2,9% de 2023. O último trimestre de 2025 registou uma desaceleração acentuada, com a maior economia mundial a expandir-se apenas 1,4%, o que compara com os 4,4% dos três meses anteriores. O Gabinete de Análise Económica (BEA) indica que o "shutdown" terá subtraído cerca de um ponto percentual ao PIB.
O índice de despesas de consumo pessoal (PCE), o indicador de inflação preferido da Reserva Federal, subiu 0,4% em dezembro, em comparação com o mês anterior, contra a estimativa dos economistas de um aumento de 0,3%.
"Os dados económicos de hoje trouxeram uma mensagem confusa", disse Art Hogan, da B. Riley Wealth, à agência financeira. "A mensagem confusa dos dados de hoje confirma a atual tendência da Reserva Federal para agir com cautela na política monetária".
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