Álvaro Santos Pereira considera "prematuro" especular sobre possível subida de juros
O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, considerou esta sexta-feira que é "prematuro" especular sobre um possível aumento das taxas de juro, no atual contexto de subida dos preços da energia.
O governador, que falou no Porto, lembrou que a decisão do Banco Central Europeu (BCE) foi "manter as taxas de juro", mas realçou que, se os preços continuarem a subir, pressionados pelos aumentos na energia devido ao conflito no Irão, a entidade terá de "decidir o que fazer".
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"E, portanto, neste momento, acho que é prematuro estar a especular o que quer que seja", destacou.
O governador considerou, no entanto, que a Europa está mais bem preparada para lidar com esta crise, lembrando que, em 2022, "a inflação já estava, em muitos países, a 5%, 6%, e neste momento está a 2%".
O BCE decidiu na quinta-feira manter as taxas de juro nos 2%, pela sexta vez consecutiva, ainda que admitindo que a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas "consideravelmente mais incertas".
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A guerra "terá um impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais elevados dos produtos energéticos", mas as suas implicações a médio prazo "dependerão quer da intensidade quer da duração do conflito e da forma como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços no consumidor e a economia", lê-se no comunicado divulgado pelo BCE.
Apesar deste contexto, o Conselho do BCE assegurou estar a "acompanhar de perto a situação e a sua abordagem dependente dos dados ajudá-lo-á a definir a política monetária apropriada".
Nesta reunião, além da decisão de política monetária, foram também divulgadas projeções económicas atualizadas, onde a inflação é revista em alta para 2,6% em 2026, 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028.
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A revisão, face a dezembro, ocorre porque os preços dos produtos energéticos serão mais elevados devido à guerra no Médio Oriente, indica o banco central.
Já o crescimento económico foi revisto em baixa, para uma média de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028, uma alteração que reflete "os efeitos da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança a nível mundial".
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