Responsáveis do BCE inclinados a deixar juros diretores inalterados na reunião deste mês
Responsáveis do Banco Central Europeu (BCE) estarão mais inclinados a manter as taxas de juro inalteradas na reunião de política monetária deste mês, adiando a decisão sobre se as repercussões económicas da guerra no Médio Oriente justificam uma subida imediata dos juros diretores.
Fontes a par do assunto citadas pela Bloomberg dizem que a possível decisão se prende com o facto de as condições de financiamento mais restritivas estarem a ajudar a manter as expectativas de inflação estabilizadas, pelo menos por enquanto.
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Na sua última reunião de política monetária, a 19 de março, o conselho de governadores do BCE decidiu manter a taxa de referência, a aplicável à facilidade permanente de depósito, em 2%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento ficou também inalterada em 2,15% e de facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,4%.
As mesmas pessoas acrescentaram que um aumento das taxas na reunião deste mês não alteraria necessariamente, e de forma significativa, os preços de mercado.
Os dados que forem chegando ao longo deste mês - e antes do próximo encontro da autoridade de política monetária, agendado para 29 e 30 de abril - sobre o rumo da economia da Zona Euro não darão respostas definitivas sobre o impacto negativo que quase dois meses de guerra no golfo Pérsico estão a ter no crescimento económico da região, nas cadeias de abastecimento e nas perspetivas de que a inflação se mantenha em linha com a meta de 2% do BCE, afirmaram as mesmas fontes.
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E com negociações de paz em curso entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, ainda é possível que os danos possam ser contidos.
O aumento dos custos energéticos induzido pela guerra já empurrou a inflação na região da moeda única para 2,6% em março, em termos homólogos, mas a duração deste fenómeno depende, em grande medida, da duração do conflito.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou esta semana à Bloomberg Television que a autoridade de política monetária precisa de ser “totalmente ágil” no que diz respeito às taxas, mas salientou que não existe uma tendência para as aumentar. No entanto, os investidores consideram futuros aumentos inevitáveis, apostando em duas subidas de 25 pontos-base durante este ano.
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A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse à agência de notícias financeiras na quarta-feira que os bancos centrais devem resistir à tentação de aumentar os custos de financiamento, uma vez que isso poderá prejudicar a produção económica. Da mesma forma, Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do BCE, afirmou que não há necessidade de o banco central se apressar a tomar uma decisão de aumentar os juros diretores, enquanto o presidente do Banco de França, François Villeroy de Galhau, salientou que “focar-se em abril seria prematuro”.
Tendo em conta estas declarações, o Goldman Sachs retirou na quinta-feira a sua previsão de um aumento das taxas este mês pelo BCE.
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