Política Monetária BCE mantém taxa de juro em mínimo histórico

BCE mantém taxa de juro em mínimo histórico

O Banco Central Europeu manteve a taxa de juro central e Mário Draghi explicará a decisão 45 minutos depois do anúncio na habitual conferência de imprensa, a primeira após o resultado do referendo no Reino Unido. Mais estímulos esperados depois do Verão. Assista à conferência.
BCE mantém taxa de juro em mínimo histórico
Reuters
Rui Peres Jorge 21 de julho de 2016 às 12:52
O Banco Central Europeu manteve a taxa de juro central em mínimos históricos, anunciou a instituição em comunicado. Mario Draghi apresentará a decisão em conferência de imprensa pelas 13:30 de Lisboa, e a expectativa é que possa sinalizar mais estímulos após o Verão, em reacção a um agravamento das perspectivas macroeconómicas para a Zona Euro, e a uma inflação que permanece muito longe do objectivo do BCE.

As taxas de juros praticadas pelo BCE com os bancos da Zona Euro ficam assim em 0% para os empréstimos regulares à banca, e em -0,4% para os depósitos que as instituições façam em Frankfurt. O banco central reforça que não haverá subidas no horizonte temporal previsível.

 

"O Conselho continua a esperar que as taxas de juros chave do BCE permaneçam no actual nível ou em níveis mais baixos por um longo período de tempo, e bem para lá do horizonte de compra líquida de activos", lê-se no comunicado enviado de Frankfurt.

 

Na mesma nota, o banco reafirma o plano de compra mensal de activos de 80 mil milhões de euros até ao final de Março de 2017, e "depois disso, se necessário, e em todo o caso até que seja visível um ajustamento sustentado do caminho da inflação consistente com o objectivo de inflação"


A inflação na zona com moeda única aumentou para 0,1% em Junho, após dois meses a tocar os 0%, ficando ainda distante da meta de inflação de 2% no médio prazo. Além disso, a recuperação na concessão de crédito permanece tímida, apesar dos vários instrumentos no terreno, que incluem taxas de juro baixas cobradas aos bancos, compras de obrigações de governos e empresas com o objectivo de baixar os custos de financiamento de médio e longo prazo, e empréstimos de longo prazo à banca que poderão até dar direito a receber dinheiro do BCE se esta conceder crédito. 

O cenário macroeconómico para a Zona Euro ficou mais negro desde a última reunião de decisão de juros em Frankfurt, a 2 de Junho, em particular pela incerteza provocada pelo resultado do referendo britânico que abre caminho a uma saída do Reino Unido da UE. A Comissão Europeia espera que o crescimento da Zona Euro possa sofrer uma perda de 0,2 pontos percentuais este ano. Draghi tinha apontado para perdas que poderão chegar aos 0,5 pontos a três anos, em linha com as previsões iniciais do FMI.

Com a decisão de Mark Carney, em Inglaterra, de manter as taxas de juro em 0,5% na última reunião a 14 de Julho, já depois do de conhecido o Brexit, optando por aguardar mais dados sobre a evolução da economia britânica, é hoje esperado que Mario raghi siga o mesmo caminho. A próxima reunião sobre taxas de juro em Frankfurt ocorre a 8 de Setembro, e essa será também a altura de apresentação das novas previsões macroeconómicas do banco central.

Entre as hipótese de mais estímulos por parte do BCE está a possibilidade de estender o programa de compras de activos para lá de Março de 2017 ou aumentar o ritmo mensal de compras actualmente em 80 mil milhões de euros por mês. Nesse caso, tal poderia implicar uma flexibilização dos actuais limites de compras que, no caso português, poderão impedir compras adicionais para lá de 2016. É também admitida a possibilidade de levar a taxa de juro de depósitos para terreno ainda mais negativo.

A situação da banca europeia, em particular a portuguesa e italiana, que Mario Draghi conhece bem, poderão também ser tema na conferência de imprensa, especialmente após os avisos desta semana do FMI de que os sistemas financeiros dos dois países representavam uma ameaça à economia mundial uma preocupação que o economista-chefe da instituição já tinha deixado clara, em Junho, numa entrevista ao Negócios à margem do encontro anual do BCE que decorreu em Sintra.
  
(Notícia em actualizada às 13:15)




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