Política Monetária Mercado já admite mais do que uma descida de juros nos EUA em 2019

Mercado já admite mais do que uma descida de juros nos EUA em 2019

Os investidores já estão a incorporar uma eventual descida dos juros por parte da Reserva Federal, que nas últimas comunicações ao mercado até abriu a porta a que a próxima mexida pudesse ser para cima ou para baixo.
Mercado já admite mais do que uma descida de juros nos EUA em 2019
Reuters
Tiago Varzim 27 de março de 2019 às 16:08

Em poucos meses, a questão sobre quando é que a Fed irá subir os juros foi substituída pela questão sobre quando é que os juros vão descer. A travagem económica passou a dominar o discurso político no segundo semestre do ano passado e rapidamente os bancos centrais ajustaram os sinais dados aos agentes económicos. Esta quarta-feira, 27 de março, os mercados já admitem, pelo menos, uma descida dos juros nos EUA este ano, segundo os dados da Bloomberg. 

Os futuros dos fundos federais estão a incorporar uma redução superior a 30 pontos base na taxa de juro até ao final de 2019, sugerindo pelo menos uma redução dos juros e possivelmente mais. Na última reunião de política monetária, o banco central norte-americano assegurou que será paciente na determinação de ajustamentos futuros nos juros.

"Há preocupações persistentes em relação às perspetivas de crescimento nos EUA", avisa o analista do Credit Agricole, Alex Li, à Bloomberg, assinalando que o estado de espírito dos investidores mudou desde que a Reserva Federal baixou as previsões para o PIB na semana passada. Além de cortar as estimativas, confirmando os receios à volta da desaceleração da economia, a Fed passou a apenas admitir uma subida dos juros em 2020 e anunciou que vai parar de reduzir o seu balanço em setembro. 

Esta hipótese de os juros descerem tem ganho mais "adeptos" nos últimos dias. Ontem, em entrevista ao The New York Times, Stephen Moore, que deverá ser nomeado por Donald Trump para o conselho de governadores da Reserva Federal, disse que a Fed deve descer os juros. Na semana passada, a entidade liderada por Jerome Powell garantiu que vai parar a "normalização" a política monetária até 2020, adiando a continuação do ciclo de subidas dos juros. 

No início da semana, a antecessora de Jerome Powell disse que a inversão da curva das yields pode sinalizar que a Fed precisa de descer juros. A inversão da curva "pode sinalizar que a Fed terá de cortar os juros, em algum momento, mas certamente não sinaliza que este é um conjunto de desenvolvimentos que provocarão necessariamente uma recessão", afirmou Janet Yellen, afastando o cenário da economia norte-americana entrar em recessão.

Acresce que hoje os mercados foram surpreendidos pelo banco central da Nova Zelândia que sinalizou que a próxima mudança nos juros seria uma descida. Em Frankfurt, Mario Draghi também deixou uma mensagem de que é necessário manter a política acomodatícia na Zona Euro. Na última reunião, o Banco Central Europeu assegurou que vai manter os juros inalterados até ao final do ano.  

Nas últimas sessões, os juros das dívidas soberanas têm vindo a descer progressivamente. Hoje a Alemanha emitiu dívida a 10 anos a juros negativos pela primeira vez desde 2016, poucos dias depois da taxa de juro negociada no mercado secundário ter entrado em terreno negativo. No caso dos EUA, a principal preocupação dos investidores reside na inversão da curva de rendimentos uma vez que os investidores estão a exigir o mesmo juro em dívida soberana a três meses e a 10 anos - o que sinaliza uma preocupação com o curto-prazo. 

Num cenário dito "normal", os investidores "cobram" mais para terem o seu dinheiro investido numa maturidade mais longa. Essa inversão aconteceu na passada sexta-feira pela primeira vez desde 2007, e fez soar imediatamente os alarmes, já que este comportamento das "yields" é visto por muitos como um indicador de recessão.




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