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Portugal é dos mais vulneráveis ao fim das moratórias

O FMI teme que uma má estratégia de recuo nas medidas económicas de combate à pandemia possam provocar problemas com o crédito malparado. Face à elevada percentagem de moratórias e garantias, Portugal é dos mais vulneráveis.

O FMI prevê que uma má estratégia de levantamento das medidas económicas possa provocar problemas com crédito malparado EPA
João Ruas Marques 06 de Abril de 2021 às 17:18
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O relatório do FMI divulgado esta terça-feira pede "uma estratégia de saída cuidadosa" para estratégias como a das moratórias e, em Portugal, a situação é particularmente sensível. Não só as famílias e empresas recorreram a moratórias para assegurar as suas casas e a sustentabilidade dos seus negócios, como recorreram a linhas de crédito, aliciadas pelos juros baixos: o país é terceiro num ranking europeu em percentagem de moratórias e garantias concedidas.

As moratórias, com um duplo efeito, permitiram às empresas alguma liquidez enquanto diminuíram drasticamente o incumprimento do crédito - o que deixou os bancos com um forte apetite pela concessão de crédito que, por sua vez, evitaram assim perdas potenciais. Mas, no fundo, as medidas que têm alimentado a economia estão a chegar ao fim.

Para o FMI, "o expirar destas políticas de apoio pode conduzir a um aumento nos incumprimentos dos empréstimos e precisar de que os bancos aumentem as provisões e apliquem um maior peso do risco nos empréstimos recentes". Como resultado, "os bancos podem ter que utilizar as reservas para absorver o pagamento faseado das moratórias".

Ao todo, o FMI estima que os empréstimos sob moratória contabilizem cerca de 600 mil milhões de euros entre os bancos europeus. E Portugal tem pouco menos de 20% dos seus empréstimos em moratória, o que coloca o país em terceiro lugar entre os 28 Estados analisados.

Quanto às linhas de crédito garantidas, o cenário é idêntico e Portugal ocupa o mesmo terceiro lugar, excedendo a fatia de 20% dos empréstimos efetuados, que estão ou sob moratórias ou sob garantias públicas. Face a ambos os indicadores, o FMI calcula que a economia portuguesa, a par da húngara e cipriota (os dois países que ocupam os lugares da frente), possa ser das mais sensíveis ao término dos prazos.

Já em termos de impacto no que diz respeito ao retirar das medidas (chamado phasing out) com impacto nas garantias e nas moratórias, o FMI calcula que o impacto médio seja de 20 pontos-base nos rácios de capital dos bancos, mas que existem fortes assimetrias consoante os sistemas financeiros. A estimativa é de que esse impacto seja de mais de 100 pontos base na Grécia, Espanha e Itália. E à frente de Portugal (perto dos 80 pontos) só mais o Chipre, quase exclusivamente castigado pelo quantidade de moratórias.

Segundo o relatório divulgado esta terça-feira, as consequências de uma má "estratégia de saída" vão sentir-se sobretudo nas famílias, nas empresas e nos bancos, que podem ter que vir a lidar um pico no crédito malparado.

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