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António Costa diz-se "perplexo" com interpretação do Governo

O secretário-geral do PS disse estar "perplexo" por se pensar que "por fazer oposição ao Governo, isso me impede de defender o país". Depois de afirmar que o país está numa "situação diferente", as críticas ao líder socialista sucederam-se, com o Executivo a acolher com agrado essas palavras. António Costa disse que é preciso dar aos investidores "uma mensagem de confiança", porque para a diminuir "já chega o Governo".

Bruno Simão/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2015 às 18:53
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O secretário-geral do PS e autarca lisboeta, António Costa, já veio a terreiro tentar enquadrar as declarações, proferidas "num outro contexto", nas quais sustentou que o país se encontra agora numa "situação diferente" face àquela de há quatro anos.

 

Depois das críticas e elogios irónicos suscitados, Costa diz estar "perplexo" com a forma como foram interpretadas as suas palavras. E sublinha que perante investidores estrangeiros, deve ser transmitida uma mensagem de confiança, e não o contrário.

 

"Aproveito a ocasião para manifestar como estou perplexo que pensem que, por fazer oposição ao Governo, isso me impede de defender o país", começou por dizer o edil na sessão de lançamento da edição diária em suporte digital do "Acção Socialista", órgão oficial do PS dirigido por Edite Estrela.

 

António Costa reagiu desta forma à profusão de declarações provocada pela sua intervenção no Casino da Póvoa, a 19 de Fevereiro, no âmbito de uma homenagem à comunidade chinesa radicada em Portugal, onde agradeceu aos chineses que "disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos".

 

De um lado, Alfredo Barroso, histórico socialista, anunciou ainda na quarta-feira a desfiliação do partido que ajudou a fundar por considerar que Costa desrespeitou "centenas de milhares de desempregados e cerca de dois milhões de portugueses no limiar da pobreza". Barroso foi o expoente máximo das críticas que, à esquerda, não aceitaram de bom grado a opinião declarada pelo responsável socialista.

 

Do lado do Governo, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, crê que as palavras do líder socialista "correspondem ao reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser feito pelo Governo". A verdade é que vários deputados dos partidos que suportam a actual maioria saudaram o pretenso reconhecimento de António Costa aos méritos da acção governativa do Executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

 

O presidente da câmara de Lisboa lamenta que haja quem considere que "perante uma assembleia de investidores estrangeiros e no exercício de funções institucionais, em vez de valorizar os factores positivos de Portugal, [eu me devesse concentrar] no fracasso da política do Governo e nos seus resultados".

 

Desta feita, Costa não quis deixar espaço a interpretações erradas, avaliando os resultados da governação do PSD e CDS como claramente negativos, resumindo-os no "aumento brutal da pobreza, no desemprego, na estagnação económica e nos cortes de pensões e de salários".

 

"Portugal mantém graves desequilíbrios que requerem uma vigilância apertada", acusou o dirigente do PS aludindo à notícia de que a Comissão Europeia seguirá de perto a evolução do ajustamento português devido a "desequilíbrios excessivos" verificados.

 

Insistindo nas mensagens vindas desde as instituições europeias, Costa notou que Bruxelas "confirmou a injustiça da política seguida ao sublinhar que os cortes nos apoios sociais atingiram de forma desproporcional os mais pobres e não aqueles que têm maior necessidade".

 

O político socialista não quer que "ninguém tenha dúvidas do que eu penso deste Governo e da urgência de mudar de políticas e de Governo".

 

E, centrando a mira na actual maioria governativa, António Costa sublinhou que "aos investidores estrangeiros temos de dar uma mensagem de confiança", porque "para diminuir a confiança já chega o Governo", função para a qual "não precisa da ajuda da oposição".

 

Considerando que as suas declarações haviam sofrido interpretações díspares e enviesadas, ainda durante a manhã desta quinta-feira, o secretário-geral dos socialistas prometeu que iria "contextualizar pessoalmente" Alfredo Barroso de forma a que o ex-chefe de gabinete durante a presidência de Mário Soares as "possa interpretar correctamente". Já o líder parlamentar e antigo secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues, lamentou que o PSD e o CDS tentem tirar partido de uma "frase imprecisa" de António Costa.

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