Bagão Félix critica polémica em torno do caso “swaps”
O ex-ministro das Finanças diz que nunca lhe chegou às mãos uma proposta de “swaps” semelhante à que foi apresentada pelo Citigroup ao Governo de José Sócrates. E diz que é preciso aprender com os erros, mas critica a dispersão de esforços que este caso está a provocar.
“Que me recorde ninguém tentou vender-me ‘swaps’ no Governo em que fui ministro das Finanças”, afirmou à TSF Bagão Félix. O responsável foi titular da pasta entre Julho de 2004 e Março de 2005, altura em que Jorge Sampaio decidiu dissolver a Assembleia da República.
De acordo com os documentos disponibilizados, na quinta-feira, pelo Governo de Passos Coelho, não foi apenas o Citigroup quem apresentou propostas de “swaps” ao Estado português. O Barclays também. E algumas propostas foram apresentadas em Agosto e Setembro de 2004.
“Não foi a mim”, afirma Bagão Félix, que admite que até tenha sido entregue no instituto de gestão de dívida, o IGCP.
O ex-responsável pela pasta das Finanças diz ser “natural” que o Governo de José Sócrates tenha pedido o parecer ao ICGP sobre as propostas de “swaps” feitas em 2005. “Tratando-se de um assunto técnico é natural que o governante queira a posição técnica do órgão técnico competente.”
“Nunca gostei muito desse tipo de guerrilhas que dispersam esforços quando o essencial neste momento é concentrar esforços. Houve um erro, de alguma gravidade”, agora é preciso “tirar lições, mas não continuar a enquistar o problema através” do envio do documento de um lado para o outro.
Isto “não tem nenhum interesse. Interesse é que se tirem consequências, que não se repitam erros como estes e que haja elementos éticos que estejam acima dos elementos políticos. O resto é absolutamente acessório.”