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Costa invoca "sentido de Estado" para não comentar livro de Cavaco

Reagindo às inconfidências e acusações do ex-Presidente da República, o primeiro-ministro diz que nunca quebrará o "dever de lealdade" de não divulgar conversas privadas. No final da carreira espera ter "coisas mais interessantes para fazer" do que escrever memórias.

Bruno Simão/Negócios
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 24 de Outubro de 2018 às 18:08
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António Costa garante que ainda não leu o segundo volume do livro "Quintas-feiras e outros dias", em que Cavaco Silva fala sobre a formação da geringonça e os primeiros meses do actual Governo, mas assegura que "nunca [comentará] qualquer conversa que tenha mantido ou não tenha mantido com qualquer Presidente da República".

 

"Todas as conversas que mantive com o actual Presidente da República, com o anterior Presidente da República e as que venha a manter com futuros Presidentes da República com quem venha a trabalhar, serão conversas a dois, exclusivamente a dois, e nunca com mais alguém", criticou o primeiro-ministro.

 

Em declarações aos jornalistas à margem da assinatura dos protocolos que garantem a permanência da colecção Miró no Porto durante os próximos 25 anos, o chefe do Executivo acrescentou que não comentará "qualquer actuação de um Presidente da República com quem tenha trabalhado". Questionado sobre as acusações do socialista Carlos César sobre a "falta de sentido de Estado" de Cavaco, Costa respondeu: "Acho que é uma questão de sentido de Estado não fazer esse comentário".

 

No livro que será apresentado publicamente esta quarta-feira, em Lisboa, Cavaco Silva relata várias reuniões que teve com Costa e alude à mestria do líder do Executivo PS em "gerir a conjuntura política, capitalizar a aparência de 'paz social' e empurrar para a frente os problemas de fundo da economia portuguesa", convencendo-se assim que, "a não ser que algo de muito extraordinário acontecesse, o seu Governo completaria a legislatura".

 

Já sobre a possibilidade de vir a contar episódios deste género num livro de memórias que venha a escrever, o actual primeiro-ministro disse ter a "esperança" de que nessa fase da vida venha a ter "coisas mais interessantes para fazer do que transmitir as [suas] memórias".

 

"A vida política não se faz de memórias; faz-se de vontades, de convicções, de contemporaneidade e de futuro. As minhas memórias, ficarei com elas. Mas é certo que nunca e em circunstância alguma quebrarei aquilo que considero que é um dever de lealdade de qualquer primeiro-ministro: as conversas que mantém com o Presidente da República serem só entre os dois e com mais ninguém", concluiu.

Nova escolha na ERSE e espera pelo Infarmed

Poucos minutos depois de Carlos Pereira renunciar ao cargo de administrador da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), António Costa foi interpelado pelos jornalistas sobre se a nomeação do deputado do PS, chumbado num parecer do Parlamento, tinha sido uma má escolha do Governo, mas optou por contornar a questão.

 

"A CReSAP [Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública] tinha feito uma avaliação, a Assembleia [da República] fez outra e o sr. deputado Carlos Pereira, ele próprio, tomou a iniciativa de se considerar indisponível para essa função. O Governo terá agora de proceder à indicação de uma nova personalidade", resumiu o primeiro-ministro, notando que essa nova escolha ainda não está feita.

 

Neste regresso ao Porto, um mês depois de o Governo ter decidido suspender a deslocalização do Infarmed para a cidade Invicta, António Costa diz não haver "qualquer problema entre o Governo e Câmara" liderada por Rui Moreira, que aquando da decisão comunicada pelo anterior ministro da Saúde tinha ironizado que a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde "vai continuar 'forever and ever' em Lisboa.

 

Aos jornalistas, lembrou a sua própria vontade em efectivar essa transferência, que "mereceu uma generalidade oposição" após ter sido anunciada há um ano. E remeteu todas as decisões desse nível para o relatório, que será apresentado até 31 de Julho de 2019, da comissão já criada na Assembleia da República para "avaliar as oportunidades de desconcentração de serviços que estão em Lisboa para outras cidades". "Não quero interferir no trabalho dessa comissão. Aguardarei o parecer. Se me derem razão ficarei muito feliz. Se não derem, olhe, não podemos ter sempre razão", comentou.

(Notícia actualizada às 18:24 com mais declarações do primeiro-ministro sobre a nomeação para a ERSE e o dossiê da descentralização)

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