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Cristas diz que pode governar com PSD mesmo que PS ganhe eleições

O cenário eleitoral que levou à "geringonça" pode vir a colocar-se à direita, admite a líder centrista: CDS e PSD poderiam assim formar governo, mesmo que PS ganhasse eleições.

Miguel Baltazar
Negócios jng@negocios.pt 08 de Outubro de 2017 às 12:58
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A líder do CDS considera que o cenário que permitiu ao PS formar Governo - apesar de ter perdido as eleições, chegou ao poder com um acordo com os partidos à sua esquerda - pode repetir-se à direita. E mostra-se aberta à possibilidade de, nesse contexto, formar Executivo com o PSD.

"Deste lado também pode acontecer o mesmo, ou seja, de hoje para amanhã até pode um dos partidos ficar em segundo lugar comparando com o Partido Socialista, o PS ficar em primeiro e o PSD e o CDS não ficarem em primeiro lugar, mas os dois juntos serem capazes de ter 116 deputados. Isso certamente que determinará um governo neste espaço político," afirma Assunção Cristas este domingo, 8 de Outubro, em entrevista ao DN/TSF.

Já em relação a um possível entendimento com o PS, apesar de recordar que isso aconteceu no passado, "neste momento não voltará a acontecer, porque claramente o Partido Socialista encostou-se à esquerda." 

Na eventualidade de entendimentos partidários, a ex-ministra da Agricultura frisa que o PSD continuaria a ser o parceiro privilegiado, ao mesmo tempo que reconhece que em muitos pontos - antes, durante e depois de ser Governo - o CDS se sentiu mais ao centro do que o PSD.

Cristas assume por outro lado que o resultado obtido nas eleições autárquicas dá uma "força diferente" ao CDS para negociar futuras matérias com os sociais-democratas. Contudo, relativiza: "O que me preocupa é consolidar uma rota de crescimento do CDS. Nós queremos que o CDS seja uma parte mais forte de uma alternativa de centro-direita em Portugal."

Sobre os resultados eleitorais do último domingo, sublinha na entrevista o reforço de votos nas cinco câmaras que de tinha e a maioria absoluta nas seis em que governa. Mas recusa que a expressão partidária do CDS se fique pelos 2,6% de votos obtidos, isoladamente, neste sufrágio: "É muito redutor, não é o retrato".

E da mesma forma que afasta entendimentos a nível nacional com o PS, recusa dar a mão ao socialista Fernando Medina em Lisboa. "Não faz sentido nenhum" uma coligação, afirma, até porque diz que os eleitores deram ao CDS a posição de "líderes da oposição."

"Eu penso que o Fernando Medina não terá dificuldade nenhuma em entender-se com o Bloco de Esquerda à partida, visto que só lhe falta um vereador para ter a maioria ou, eventualmente, com o PCP," afirma, referindo-se à eleição de Ricardo Robles.

Já sobre o entendimento com o PSD na capital, que não chegou a acontecer antes das eleições, afirma que "naturalmente que as condições seriam diferentes" se tivesse concorrido em conjunto com o PSD em Lisboa. "Saber se esse caminho também teria acontecido se estivéssemos em conjunto com o PSD, eu não sei," refere. 

Em relação ao documento orçamental para 2018 que o Governo se comprometeu a apresentar na sexta-feira, Cristas diz que o CDS insistirá em propostas apresentadas no passado, como baixar progressivamente o IRC até à casa dos 17%, propondo este ano baixar de 21% para 19%.

Além disso, deixa a possibilidade de, em matéria do arrendamento, propor uma descida de 28% para abaixo dos 25% da taxa liberatória, apesar da proposta de redução ter sido rejeitada "duas vezes pelo Partido Socialista."
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