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Manuel Salgado vai para tribunal contra "campanha montada para lançar suspeição"

O vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa ataca, em texto de opinião no Público, o ex-colega Fernando Nunes da Silva após este ter dado uma entrevista com acusações. Entretanto, a entrevista segue para o Ministério Público.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 26 de Setembro de 2018 às 09:39
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Manuel Salgado considera estar a ser vítima de uma "campanha" para atingir o seu nome e vai avançar judicialmente contra o antigo colega na Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Nunes da Silva.

 

"Não deixarei passar em claro as ofensas de Nunes da Silva e levarei às últimas consequências a defesa do meu bom nome, pelo que avançarei com a adequada acção judicial", escreve o actual vereador do Urbanismo do município, em artigo de opinião no Público. "A denúncia pública e o processo judicial são a minha resposta", continua Salgado.

 

Para o responsável da autarquia, está em causa uma "tese central de uma campanha montada no espaço mediático para lançar a suspeição" sobre si e sobre a gestão da CML.

 

O texto é uma resposta à entrevista dada por Nunes da Silva, antigo responsável pela Mobilidade em Lisboa, ao Sol em que afirma que "Salgado, que é o verdadeiro presidente da câmara - o Medina é apenas um porta-voz -, faz o quer". Ao semanário, o antigo vereador afirmou que a linha circular do Metro de Lisboa é apenas uma resposta a "grandes negócios imobiliários", até para "encaminhar negócios" para o atelier Risco, do filho de Salgado. E disse ainda que o processo de licenciamento das Torres de Picoas poderia dar "perda de mandato e eventualmente cadeia".

 

Salgado à defesa face aos três ataques

É precisamente sobre estes três temas que, no artigo de opinião, Manuel Salgado se centra. Em relação às Torres de Picoas, defende que "tudo" o que é afirmado é "falso e inventado de forma maliciosa por Fernando Nunes da Silva". Recusa que tenha havido qualquer discriminação negativa ao antigo dono do imóvel, onde agora foi construída a torre com maior área do que a inicialmente pretendida pelo anterior dono, porque esteve em causa a revisão do Plano Director Municipal (PDM), um processo "profundamente participado e escrutinado". Salgado rejeita ainda a indicação de que a venda ao grupo de capital de risco ECS tenha sido por um euro, já que houve assunção da dívida de 17 milhões de euros.

 

Sobre as ligações ao atelier Risco, de que foi sócio até 2007, e que é agora liderado pelo filho, recusa ter aconselhado, sugerido ou pressionado qualquer promotor a recorrer aos seus serviços. "Ao longo dos mais de dez anos de responsável pelo pelouro do Urbanismo, nunca interferi, influenciei ou votei qualquer processo submetido à CML pelo Risco". Os processos, adianta no Público, são avocados pelo presidente e submetidos por ele a plenário desde que António Costa era presidente da Câmara.

 

Sobre o metro e a linha circular, Salgado não responde à acusação de favorecimento a promoção imobiliária, dizendo apenas que Nunes da Silva a inscreveu e aprovou como prioridade para a cidade no PDM de 2012. 

 

"A expressão pública do drama pessoal de Fernando Nunes da Silva não pode passar pela ofensa a quem ao longo de anos se tem dedicado à defesa do interesse público", concluiu Manuel Salgado no artigo de opinião, em que não fala na desafectação a fins de utilidade pública de diversos edifícios na capital.

 
AML rejeita investigação, entrevista vai para MP

A entrevista do ex-vereador ao Sol foi um dos motores que levou o PSD, o BE e Rui Costa, ex-deputado municipal do BE agora independente, a pedirem diligências da assembleia municipal para investigação dos serviços tutelados por Manuel Salgado.

 

As três propostas que estavam em cima da mesa foram rejeitas na Assembleia Municipal de Lisboa no encontro desta terça-feira, 25 de Setembro.

Entretanto, a presidente da assembleia, Helena Roseta, anunciou na reunião, segundo relata a Lusa, que vai enviar ao Ministério Público a entrevista concedida ao Sol pelo antigo vereador Nunes da Silva, bem com a discussão daquela reunião, para averiguação de eventuais factos novos. 

(Notícia actualizada às 10:02 com a inscrição no PDM partiu de Nunes da Silva)

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