Política Robalo ao vapor no primeiro almoço oficial de Marcelo

Robalo ao vapor no primeiro almoço oficial de Marcelo

Marcelo oferece um almoço em Belém, onde entrou esta quarta-feira, 9 de Março, pela primeira vez como Presidente da República. Antes passou pelos Jerónimos, onde depositou flores nos túmulos de Camões e Vasco da Gama.
Robalo ao vapor no primeiro almoço oficial de Marcelo
Bruno Simão
Filomena Lança 09 de março de 2016 às 15:06

É cerca da uma da tarde quando Marcelo Rebelo de Sousa sobe, pela primeira vez como Presidente da República e sem a companhia da família, a rampa que dá acesso ao Palácio de Belém, onde o espera o seu primeiro almoço oficial. Lá fora, um grupo de algumas centenas de pessoas aplaudiu, o batalhão presidencial tocou o Hino Nacional e Marcelo passou revista às forças militares. Choveu um pouco, mas ninguém abriu um chapéu-de-chuva ao novo chefe de Estado.

Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão


A manhã estava prestes a encerrar. Uma manhã muito intensa, que começou na Assembleia da República, onde o novo chefe de Estado prestou juramento e onde chegou a pé, descendo a Calçada da Estrela sozinho com os seus seguranças. Uma decisão inesperada e, contudo, pouco surpreendente vinda de Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou a pé à Assembleia da República.
Marcelo Rebelo de Sousa chegou a pé à Assembleia da República.
Bruno Simão

A seguir estava prevista uma passagem pelo Mosteiro dos Jerónimos, onde seriam depostas coroas de flores nos túmulos de Camões – como de costume nestas cerimónias – e no de Vasco da Gama – uma novidade nesta tomada de posse.

À entrada do Mosteiro, João Soares, ministro da Cultura, o prior de Santa Maria de Belém, José Manuel dos Santos Ferreira, e a directora do Mosteiro, Isabel Cruz Almeida, aguardavam a comitiva. Lá fora, algumas dezenas de pessoas esperavam também pelo novo Presidente. A maioria turistas apanhados desprevenidos e que nem sabiam bem o que iria acontecer. Alguns, poucos, portugueses deslocaram-se especialmente para assistir, ainda que à distância, à chegada de Marcelo.

 

Uma senhora do Zimbabwe, de visita a Lisboa, comenta: "Vai ser abençoado pela igreja, não é?". Na verdade não é bem isso. Marcelo aproxima-se dos túmulos, onde previamente duas sentinelas depositaram as coroas de flores, e ajeita as fitas com as cores da República. Depois fica alguns minutos em silêncio, de pé no meio da igreja, tudo em linha com o protocolo.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, nos Jerónimos, deposita flores junto aos túmulos de Camões e Vasco da Gama.
Marcelo Rebelo de Sousa, nos Jerónimos, deposita flores junto aos túmulos de Camões e Vasco da Gama.
Miguel Baltazar

A cerimónia prossegue com uma breve visita pelo Mosteiro e, nos claustros, o Presidente assina o livro de honra, debaixo dos cliques das máquinas fotográficas que o seguem e disparam incessantemente. A ideia era que apenas assinasse, mas Marcelo escreveu durante alguns minutos. É católico e a passagem pela Igreja de Santa Maria de Belém há-de ser, para si, um dos momentos mais intimistas da cerimónia.

 

Marcelo Rebelo de Sousa assina livro de honra dos Jerónimos.
Marcelo Rebelo de Sousa assina livro de honra dos Jerónimos.
Miguel Baltazar

Segue-se o Palácio de Belém, onde decorrerá o almoço. Há convidados de honra, como o rei de Espanha, o presidente moçambicano, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Estão também presentes António Costa, os presidentes dos supremos tribunais e do Constitucional, o ministro dos Negócios Estrangeiros, o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. São 24, contando com Marcelo.

 

Na cozinha há alguma afobação, mas nada que deixe em nervos o pessoal, habituado a eventos do género. À entrada serve-se creme de espargos com pinhões torrados e, como prato principal, robalo ao vapor. Com aromáticos e couve-flôr.

 

Uma refeição leve, em que só nas sobremesas se apostou um pouco mais. Há gelado de iogurte, "coulis" de frutos vermelhos, telha de arroz doce, praliné de frutos secos e laranja com casquinha.  A acompanhar, vinho branco Meruge, do Douro.

 

Aqui as portas fecham-se aos jornalistas. Já só é permitida a recolha de imagens a partir do jardim, de um lado o Tejo, do outro a varanda onde Marcelo se desdobra em conversas com os convidados que tomam um beberete antes da refeição.

 

Até meio da tarde, o novo Presidente fica em Belém. Depois segue para a Mesquita de Lisboa, onde está prevista uma cerimónia ecuménica, com representantes de várias confissões religiosas. O dia está ainda longe de terminar, que o protocolo é longo e pesado. Marcelo Rebelo de Sousa, aparentemente, já está mais do que habituado a ele e move-se com o à vontade que lhe é habitual.

 

Será um bom Presidente? Ana Gaivéu, uma setubalense que veio a Lisboa com duas amigas francesas que estão cá de férias, diz que "ainda é cedo para saber". "Não votei nele, mas gosto dele como pessoa. Gosto do discurso dele. Mas falam todos tão bem, não é?".




pub

Marketing Automation certified by E-GOI