Política Sondagem: Costa sobe com crise política, mas pouco

Sondagem: Costa sobe com crise política, mas pouco

A imagem de António Costa e do seu Governo pode ter saído reforçada, segundo indica o barómetro da Aximage. Ainda assim, os ganhos medidos nesta sondagem não se materializaram num aumento significativo das intenções de voto nas Legislativas.
Sondagem: Costa sobe com crise política, mas pouco
lUSA
Manuel Esteves 13 de maio de 2019 às 08:00

Na sexta-feira, o Parlamento colocou um ponto final na crise política ao chumbar as propostas que alteravam a contagem do tempo de serviço prestado pelos professores no passado. Se é impossível saber o que teria acontecido se António Costa não tivesse apresentado a demissão, a curiosidade sobre quem saiu a ganhar e a perder com esta minicrise é grande.

Segundo uma sondagem da Aximage sobre as intenções de voto para as eleições legislativas, cujo trabalho de campo foi realizado entre sexta-feira (Costa falou ao país nesse dia por volta das 17h30) e a quarta-feira seguinte, as intenções de voto no PS pouco subiram (0,8 pontos para 35,4%). E as do PSD até aumentaram marginalmente (0,3 pontos para 27,6%). Quem caiu foi o Bloco de Esquerda (0,6 pontos para 7,9%) e, sobretudo, o CDS (1,1 pontos para 7,4%), mas a Aximage que recomenda cautela na interpretação de pequenas variações nestes partidos, dada a dimensão da amostra e a expressão da votação. Quanto à CDU, as intenções de voto mantiveram-se praticamente inalteradas (mais 0,2 pontos para 7,2%).

Ou seja – conforme se vê no gráfico –, a crise política não parece ter mexido, pelo menos no imediato, na forma como os partidos se posicionam para as legislativas.

Cristas, Rio e Catarina perdem apoio
Onde se nota uma alteração mais relevante é na avaliação dos líderes partidários. António Costa é o único líder partidário que sobe, com todos os outros, à exceção de Jerónimo de Sousa (que mantém a mesma avaliação), a caírem.

No campeonato das quedas, quem mais se destaca é a líder do CDS. Assunção Cristas sofre a maior quebra de avaliação desde que assumiu a presidência do partido ao cair 1,6 valores para 6,3, o pior nível de sempre.

Os líderes do PSD e do Bloco de Esquerda também perdem terreno, mas menos do que noutras alturas. Rui Rio desce 0,9 para 7,4 valores, enquanto Catarina Martins cai 0,7 para 8,2 valores.

Sobe a confiança no primeiro-ministro
O barómetro da Aximage também revela que a confiança em António Costa como primeiro-ministro recupera ligeiramente. Agora, são 52,8% os portugueses que dizem confiar mais em Costa no lugar de primeiro-ministro contra 29,5% que confiam em Rio (antes era 51% e 30,5% respetivamente). Mas aqui as mudanças são pequenas, basta ver que Costa continua abaixo dos níveis verificados em março – e Rio acima.
As expectativas no Governo também progridem (passando de 25 para 28 numa escala entre -100 e +100), uma subida idêntica à registada no mês anterior.

Marcelo fica na mesma
Quanto ao Presidente da República que durante esta crise manteve uma inusitada discrição pública, o barómetro da Aximage não revela mudanças de relevo. O índice de avaliação do Presidente (que vai de zero a 20) situou-se em 15,3, um número ligeiramente acima do registado no mês anterior.

Concluindo, neste barómetro, cujo trabalho de campo foi realizado já depois da ameaça de demissão de António Costa, há de facto uma recuperação da sua imagem e do seu Governo, sem que isso se materialize de forma clara em intenções de voto. Como sempre nestas sondagens, é impossível estabelecer uma relação de causalidade entre os acontecimentos verificados e a tendência dos resultados. Mas deixa boas pistas.

FICHA TÉCNICA

Universo indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.
Amostra aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, atividade) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 601 entrevistas efectivas: 294 a homens e 307 a mulheres; 55 no Interior Norte Centro, 89 no Litoral Norte, 98 na Área Metropolitana do Porto, 110 no Litoral Centro, 169 na Área Metropolitana de Lisboa e 80 no Sul e Ilhas; 99 em aldeias, 161 em vilas e 341 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.
Técnica Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 3 a 8 de Maio de 2019, com uma taxa de resposta de 73,7%.
Erro probabilístico Para o total de uma amostra aleatória simples com 600 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%).
Responsabilidade do estudo Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de João Queiroz.




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