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Tancos: Prisão preventiva para director da Polícia Judiciária Militar e um civil

O Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa decretou esta sexta-feira prisão preventiva para o director da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para um civil, arguidos no caso da recuperação das armas roubadas em Tancos, segundo fonte judicial.

Foi uma das operações mais mediáticas porque estavam em causa questões de segurança de material militar e havia toda uma vertente política, que envolvia o próprio ministro da Defesa numa dimensão de responsabilidade política. O Ministério Público explicou que estavam em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional, e meteu mãos à obra, abrindo um processo para investigar o destino dado às armas desaparecidas e contando com a coadjuvação da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, com colaboração institucional da Polícia Judiciária Militar. O caso abalou o Exército e o próprio Governo e, surpreendentemente, as armas foram recuperadas na sequência de um telefonema anónimo: apareceram em Outubro num campo aberto a 21 quilómetros de onde tinha sido furtado três meses e meio antes. Faltavam munições de 9 mm, mas estavam a mais 200 petardos, de quem ninguém tinha dado falta. Houve baixas na hierarquia do exército e os autores do furto continuam por identificar.
José Neves
Lusa 28 de Setembro de 2018 às 20:28
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Um comunicado do TIC adianta que os restantes seis arguidos ficam em liberdade, embora sujeitos a termo de identidade e residência, suspensão do exercício de funções, proibição de contacto com os co-arguidos e com quaisquer militares das Forças Armadas, da GNR e elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM).

 

O TIC esclareceu que aplicou ao director da PJM, aos restantes três elementos daquela polícia e aos três GNR estas medidas pelo "perigo de continuação da actividade criminosa e perigo de perturbação do decurso do inquérito, aquisição e conservação da prova".

 

Para o único arguido civil, João Paulino, o juiz de instrução criminal João Bartalo considerou que há "perigo de continuação da actividade criminosa e de fuga" e o arguido responde pelos crimes de tráfico de armas e tráfico de droga.

 

O despacho do tribunal refere que o director e os restantes elementos da PJM e os três militares da GNR estão arguidos pelos crimes de "denegação de Justiça e prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário, associação criminosa e tráfico de armas".

 

O director da PJM e um outro elemento daquela polícia (Roberto Pinto da Costa) estão também indiciados pelo crime de falsificação de documentos, tendo o último ainda um crime de detenção de arma proibida.

 

A Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada terça-feira, no âmbito da Operação Húbris, o director da PJM, Luís Vieira, outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

 

Na maratona de interrogatórios que teve lugar durante na quinta-feira e na madrugada de hoje o civil que foi detido, também por posse de droga encontrada durante a investigação e buscas, remeteu-se ao silêncio.

 

Depois foi interrogado pelo juiz o director da PJM, que falou cerca de duas horas e que, segundo o seu advogado, Rui Baleizão, reiterou sua inocência e "tentou esclarecer os factos" que lhe foram questionados.

 

Seguiram-se os interrogatórios do responsável do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé, Lima Santos, que falou por mais de uma hora, tendo os dois outros elementos ficado calados, alegando cansaço.

 

A longa sessão de interrogatórios, que durou quase doze horas, terminou cerca das 03:00 da madrugada de hoje com a audição dos dois últimos elementos da PJM detidos. 

 

Fonte ligada à investigação referiu que está a ser investigada uma alegada encenação montada para simular a descoberta e recuperação das armas pela PJM.

 

Os oito detidos no âmbito desta investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público foram identificados na quinta-feira pelo juiz de instrução criminal, o responsável pela aplicação das medidas de coacção aos arguidos.    

 

Segundo o Ministério Público, em causa estão "factos susceptíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, receptação, detenção de arma proibida e tráfico de armas".

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