Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Demitiu-se um membro do comité que aprovou medicamento para alzheimer

David Knopman considera que os consultores externos envolvidos na aprovação do aduncanumab (o primeiro medicamento aprovado para o Alzheimer em quase 20 anos) foram desrespeitados e que não existem provas da sua eficácia.

Reuters
João Ruas Marques 10 de Junho de 2021 às 18:07
  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

Um membro de um comité de aconselhamento da FDA, o organismo que regula o mercado farmacêutico nos Estados Unidos, demitiu-se na quarta-feira como forma de protesto pela aprovação da mais recente terapia para o alzheimer.

David Knopman, neurologista na Mayo Clinic e que era membro do Comité de Aconselhamento sobre Medicamentos do Sistema Nervoso Central e Periférico (PCNS na sigla inglesa) da FDA, que estudou o aducanumab [medicamento da Biogen contra o alzheimer], considera que não havia provas suficientes que justificassem a aprovação do medicamento e que os consultores externos ouvidos pelo regulador foram "desrespeitados".

Um outro órgão de comunicação social norte-americano, a STAT News dá ainda conta de mais uma demissão entre os membros deste comité, mas carece de confirmação.

À CNN, Knopman diz que se demitiu do PCNS "porque se me pedissem para servir num painel futuro não gostaria de ser tratado da maneira pouco respeitosa como foram tratados os consultores externos do aducanumab". O parecer final dos consultores externos apontava para a não-aprovação do medicamento.

Além disso, Knopman discorda de que estivessem reunidas provas suficientes que levassem à aprovação do medicamento, já que os estudos realizados em pessoas em estado precoce da doença - sem demência - não mostraram quaisquer resultados.

De referir também que os ensaios clínicos para o medicamento tinham já sido interrompidos em 2019 por falta de resultados. Mas o seu fabricante, a Biogen, foi capaz de reorganizar os dados obtidos e afirmar que o medicamento poderia ser útil a alguns doentes. Os dados mostram um ligeiro retardamento no avançar da doença em pacientes que receberam altas doses do medicamento.

A pressão para desenvolver um medicamento eficaz no tratamento do alzheimer pode ter tido um peso importante nesta aprovação, já que esta é uma condição clínica sem cura e cujo último fármaco aprovado remonta a 2003.

Ver comentários
Saber mais alzheimer aducanumab FDA Biogen despedimento farmacêuticas
Outras Notícias