Hospital Cruz Vermelha alcança operacional verde mas ainda dá prejuízos
Detido em 55% pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e em 45% pelo Estado, que continua sem o conseguir vender, a unidade de saúde acumula prejuízos de mais de 30 milhões de euros desde 2019, mas já conseguiu fechar o último exercício com um EBITDA positivo de 396 mil euros.
Há pouco mais de um ano, o Governo abortou a venda do problemático Hospital Cruz Vermelha (HCV), apesar de haver três candidatos à compra – a Sanfil Medicina, a Trofa Saúde e o Hospital Lusíadas – devido a um parecer da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (tem 55% do capital) e da Parpública (45%) que concluía que as ofertas não tinham “as condições necessárias” para proteger o “interesse patrimonial” dos dois acionistas.
E nunca mais falou no assunto.
Logo de seguida, muda a equipa de gestão do HCV, com o antigo ministro da Saúde Luís Filipe Pereira a assumir a presidência da instituição hospitalar, tendo o cargo de presidente executivo sido ocupado por Pedro de Albuquerque Mateus, que foi CEO de unidades de saúde como o Hospital Lusíadas Lisboa e a Malo Clinic.
Em apenas um ano, tudo mudou no HCV: após ter acumulado desde 2019 prejuízos da ordem dos 30 milhões de euros, dos quais 3,7 milhões em 2024, “o resultado antes de impostos melhorou 23,3%, de 3,745 milhões negativos em 2024 para 2,874 milhões negativos em 2025”, adiantou ao Negócios fonte oficial da instituição, que ainda está a fechar as contas do exercício.
Melhor: o EBITDA registou uma “inversão estrutural, passando de um resultado negativo de 424 mil euros em 2024 para um valor positivo de 396 mil euros em 2025”.
O volume de negócios aumentou 2% para 36,5 milhões de euros, tendo no ano passado realizado mais de 100 mil consultas, cinco mil cirurgias, 200 mil meios complementares de diagnóstico e tratamento e cinco mil episódios de urgência.
“A melhoria de desempenho resulta da execução disciplinada de um conjunto de iniciativas estruturais que geraram impacto mensurável em produtividade e na eficiência”, explica o HCV, em comunicado.
No plano operacional, destaca “a melhoria de 17 % na taxa de ocupação do bloco operatório e uma redução de 35% nos tempos de espera”, enquanto na vertente financeira “recuperou 1,6 milhões de euros em dívidas de terceiros, regularizou 48% dos pendentes de faturação e obteve mais de 350 mil euros em poupanças decorrentes de renegociações contratuais e da otimização de processos internos”.
Com Luís Filipe Pereira a enfatizar que o HCV entrou em 2026 “com desafios, mas com uma organização mais sólida, mais eficiente e mais preparada”, Pedro de Albuquerque Mateus afiança que os resultados alcançados pela instituição demonstram que está “no caminho certo” para se afirmar como “um ‘player’ incontornável no sistema de saúde português”.
(Notícia atualizada às 11:21)