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TCE alerta que reforma da PAC pode gerar "incerteza" e atrasar apoios aos agricultores

Tribunal de Contas Europeu considera que o objetivo da Comissão Europeia de simplificar os apoios ao setor agrícola europeu pode ter o efeito contrário. Auditor fala num "planeamento mais complexo" e "arquitetura jurídica complexa" e pede ao Parlamento Europeu e Conselho alterações à proposta da Comissão.

Comissão Europeia quer juntar fundos da PAC com Fundos da Coesão no próximo orçamento europeu.
Comissão Europeia quer juntar fundos da PAC com Fundos da Coesão no próximo orçamento europeu. Bruno Colaço
16:03

As alterações previstas na Política Agrícola Comum (PAC), que a , podem gerar "incerteza" e atrasar a disponibilização de verbas aos agricultores, prejudicando o objetivo de simplificar os apoios ao setor agrícola europeu. O alerta é do Tribunal de Contas Europeu (TCE) e consta de um parecer publicado esta segunda-feira.

No documento, o auditor europeu faz uma análise à no novo quadro financeiro plurianual 2028-2034, também conhecido como orçamento europeu de longo prazo. A proposta de Bruxelas prevê que, pela primeira vez desde a criação da PAC em 1962, não haja um fundo específico para a agricultura. Em alternativa, os apoios da PAC vão passar a fazer parte de fundo comum que é implementado pelos

Para esses planos nacionais e regionais de parceria, a Comissão Europeia planeia alocar um total de 865 mil milhões de euros (44% do orçamento) e, embora o valor seja superior à soma do financiamento que está previsto para a PAC e Política de Coesão no quadro financeiro plurianual atual, terá de ser repartido também pela gestão de fronteiras e migrações. Na prática, isso pode significar um corte nos tradicionais fundos europeus, .

No caso em concreto da PAC, está prevista uma dotação orçamental mínima de 293,7 mil milhões de euros para o apoio ao rendimento dos agricultores (o montante "reservado"). Já outras medidas da PAC, como o programa de desenvolvimento rural LEADER e o apoio às regiões ultraperiféricas, vão passar a ser financiadas com base no montante não reservado, : o apoio aos agricultores e ao setor agroalimentar, e o desenvolvimento rural. No âmbito das negociações preliminares com o Parlamento Europeu,  para financiar essas áreas.

Acresce ainda que, no âmbito do , a Comissão Europeia propôs que os Estados-membros tenham acesso a cerca de 45 mil milhões de euros a partir de 2028, a fim de dar resposta às necessidades dos agricultores e das comunidades rurais.

Esses "arranjos de planeamento complexos" combinados com "uma arquitetura jurídica da PAC mais complexa" podem, segundo a análise do TCE, gerar incerteza para os Estados-membros. O auditor teme que, com estas alterações, haja uma redução da previsibilidade para os beneficiários e o pagamento dos apoios possa atrasar.

Além disso, adverte que o montante total do financiamento da PAC "só será conhecido após a adoção do planos de parceria nacionais e regionais", tendo em conta que cada país deverá decidir de que forma quer alocar os fundos previstos nesse "pacote" onde entra a PAC, Política de Coesão e os fundos para gestão de fronteiras e migrações. 

"Para os beneficiários, isso pode gerar imprevisibilidade na fase de planeamento em relação ao financiamento com o qual poderão contar. Também pode ser difícil comparar os gastos do PAC no âmbito do QFP 2021-2027 com a possível alocação no âmbito do próximo QFP", lê-se no parecer o tribunal sediado no Luxemburgo.

Risco de distorções no mercado europeu

O TCE alerta também que a flexibilidade que é dada aos Estados-membros na escolha de como querem alocar os fundos operacionalizados pelos planos de parceria nacionais e regionais pode originar desequilíbrios entre os apoios ao setor agrícola que são dados por cada Estado-membro, afetando negativamente a concorrência e a dinâmica do mercado interno da UE.

"A falta de um quadro comum claro [em relação à PAC] pode criar condições desiguais para os agricultores e afetar negativamente a concorrência leal e o funcionamento do mercado interno", lê-se no documento.

Há também dúvidas sobre quais as intervenções da PAC que vão passar a ser financiadas com base em resultados, no que a Comissão Europeia quer aplicar à atribuição de fundos no próximo orçamento de longo prazo, e quais os marcos e metas que vão ser considerados. O TCE diz ainda que é preciso garantir que um maior controlo da despesa e custos reais nessa nova abordagem, já que .

"Consideramos que a responsabilização e a rastreabilidade devem ser asseguradas quando as intervenções se baseiam em marcos e metas. A rastreabilidade dos pagamentos aos beneficiários é uma condição necessária para que o TCE exerça o seu mandato", vinca.

Numa nota positiva, o TCE elogia a e diz que os colegisladores – Parlamento Europeu e Conselho – deveriam considerar a possibilidade de "apresentar outras disposições relevantes, com vista a reforçar a abrangência e o caráter comum da PAC"

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