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Vinhos do Douro e do Porto investem 300 mil euros em inteligência artificial

O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) decidiu investir 300 mil euros em inteligência artificial para tentar otimizar custos de produção e identificar as melhores rotas e destinos dos seus vinhos.

Gilberto Igrejas é presidente do IVDP, que tem sede no Peso da Régua e delegação no Porto.
Paulo Duarte
Lusa 23 de Outubro de 2020 às 20:31
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O projeto está "em desenvolvimento", disse hoje o presidente da instituição, Gilberto Igrejas, na apresentação oficial no IVDP a agentes do setor convidados para o efeito.

"O IVDP Data + dar-nos-á a capacidade de conhecer e antecipar a produção e o mercado, nacional e internacional, de uma forma analítica, extraindo valor dos dados já existentes no IVDP enriquecidos com outras fontes de dados", explica a instituição sediada no Porto.

A NOVA IMS, a escola de Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa, colabora com o instituto neste projeto e o seu subdiretor, Miguel de Castro Meto, disse na apresentação que a ciência dos dados e a inteligência artificial serão utilizados tanto "para compreender a realidade" como para "antecipar o futuro e propor ações que otimizem resultados em função da avaliação de cenários alternativos e da sua otimização".

Gilberto Igrejas referiu que o IVDP trabalhará com os agentes interessados e explicou que o projeto tem como objetivo "ajudar o setor com o modelos económicos vocacionados para a inteligência artificial, para ajudar a delinear melhor os seus canais de vendas e a forma como vão vender o seu produto".

Tais modelos serão definidos com base nos dados históricos que o IVDP possui e pretende disponibilizar.

"O que vamos fazer ao longo desde projeto é, no interface com todos os agentes económicos, dar estes dados e receber contributos para que o projeto possa ser melhorado e chegar a um resultado que seja razoável" para todos, explicou.

"Através deste modelo será possível realizar estimativas de produção para o viticultor - e prever os respetivos custos de produção - identificar os trânsitos de vinhos mais favoráveis e sugerir potenciais mercados mediante as características do vinho, além de permitir o rastreamento fidedigno de toda a produção", informa o IVDP.

Gilberto Igrejas ressalvou que não serão publicados dados de vendas que possam expor um agente económico. "Nesta fase, os dados têm o sigilo que o projeto exige e, à medida que ele for sendo desenvolvido, logo veremos que tipo de dados podem ser fornecidos", observou.

Para Gilberto Igrejas, o projeto IVDP Data + cria "um novo paradigma de planeamento e gestão de toda a cadeia de valor do vinho do Douro e Porto, lançando as bases para que as políticas públicas assentem em dados, quer no momento da sua construção quer na sua monitorização e avaliação."

O secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, que compareceu ao lançamento do projeto, considera necessário "apoiar todas as iniciativas que estimulem um clima favorável à tecnologia e à inovação, que criem condições para que a competitividade das organizações e a produtividade das empresas portuguesas se eleve".

Nuno Tiago Russo destacou a importância de "fazer a transformação digital do setor agroalimentar" e da administração pública, tendo referido que este projeto do IVDP concilia os dois aspetos.

O governante considera que o IVDP Data + poderá ser "uma oportunidade" para o Instituto da Vinha e do Vinho fazer igual, "aprender e eventualmente alargá-la" a outras regiões vitícolas.

O secretário de Estado da Agricultura disse ainda que o setor do vinho tem-se mostrado "resiliente" face aos impactos negativos da pandemia de covid-19.

"Já estamos a verificar sinais positivos da recuperação quer do consumo nacional quer da exportação", afirmou.

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