Guerra faz disparar preço do gás e produtores de biometano pedem ação urgente

A APPB destaca ainda que a energia renovável de origem biológica representa atualmente 20% do consumo nacional total, sendo impulsionada sobretudo pelo setor do papel e dos biocombustíveis.
Lusa 15:40

A Associação Portuguesa de Produtores de Bioenergia (APPB) alerta que o impacto energético do conflito no Médio Oriente evidenciou a necessidade de Portugal operacionalizar o Plano de Ação para o Biometano 2024-2040.

As cotações internacionais do gás, que se mantinham estáveis desde 2023 entre 30 e 40 Euro/MWh, aumentaram para cerca do dobro no espaço de uma semana, na sequência da guerra que afeta o Irão e países vizinhos e do estrangulamento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

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Segundo Jaime Braga, secretário-geral da APPB, "esta situação vem salientar a urgência de acelerar o previsto no Plano de Ação para o Biometano", aprovado em março de 2024. "Dois anos de plano e insuficiente ação", critica o responsável.

Jaime Braga sublinha que "a possibilidade de descarbonização do gás pelo biometano, neutro em carbono e 100% compatível com o gás natural e com os seus equipamentos de queima, é uma via de transição energética real, socialmente justa e, portanto, em muitos casos, aquela que deve ser adotada".

A APPB destaca ainda que a energia renovável de origem biológica representa atualmente 20% do consumo nacional total, sendo impulsionada sobretudo pelo setor do papel e dos biocombustíveis.

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Ainda assim, o biometano continua mais caro do que o gás natural. No entanto, Jaime Braga refere que "nas condições atuais e atendendo, sobretudo, ao patamar das cotações internacionais do gás que resultarem do fim do presente conflito, essa diferença será, seguramente, menor".

O secretário-geral acrescenta que "essa nova cotação, acrescida pela valorização das emissões que deixam de existir, da quantificação dos benefícios do aproveitamento de resíduos e da nada desprezável redução de importações com melhoria da balança comercial do país, pode aproximar-se, e muito, dos custos reais de produção do biometano".

A APPB considera que a redução da dependência externa e da exposição a crises dos mercados energéticos constitui uma necessidade nacional e um estímulo à expansão da produção de biometano, com impacto económico e no emprego.

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"Ganham as pessoas, ganha a economia, ganha o país", conclui Jaime Braga.

A associação definiu como prioridades para 2026 a transposição da Diretiva das Energias Renováveis (RED III) para a legislação nacional e a implementação do mercado de biometano, com vista à redução da dependência do gás em setores industriais como a cerâmica e o vidro.

A APPB integra atualmente as empresas Biovegetal, Fábrica Torrejana, Grupo Floene, Iberol, Rega Energy e Sovena.

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