Lucros da Sonae aumentam para 247 milhões com vendas recorde em 2025
O resultado líquido da Sonae aumentou de 223 milhões de euros em 2024 para 247 milhões em 2025, “impulsionado pelo crescimento dos negócios e pelo reforço da eficiência operacional”, num ano em que investiu 612 milhões de euros, menos de metade do que no exercício anterior, quando somou grandes aquisições como a nórdica Musti e a espanhola Druni.
Já o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 17,6%, ultrapassando os 1,2 mil milhões de euros, com o volume de negócios a atingir o valor recorde de aproximadamente 11,4 mil milhões de euros, mais 1,4 mil milhões do que no ano anterior.
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O conselho de administração da Sonae vai propor na assembleia geral de acionistas a distribuição de um dividendo bruto de 6,217 cêntimos por ação, mais 5% do que no ano passado, revela o grupo liderado por Cláudia Azevedo, esta quinta-feira, 19 de março, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
“2025 foi um ano extraordinário para a Sonae, reforçando a nossa confiança de que estamos a construir um grupo coeso de empresas líderes, com escala, capacidade e ambição para criar valor económico e social no longo prazo”, afirma Cláudia Azevedo na sua habitual mensagem ao mercado.
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O desempenho operacional da Sonae “permitiu consolidar” a sua “trajetória de desalavancagem progressiva e terminar o ano com um crescimento impressionante do NAV [valor do ativo líquido] de 15%”, destaca a CEO do grupo, cujo dívida líquida consolidada diminuiu 102 milhões em relação aos 1,6 mil milhões de euros um ano antes.
“Após uma reconfiguração significativa do portefólio da Sonae no ano passado, nomeadamente através dos investimentos relevantes na Musti e na Druni, em 2025 os nossos esforços centraram-se na integração bem sucedida destas empresas, bem como no apoio a todos os negócios para que continuem a prosperar nos seus mercados”, explica Cláudia Azevedo.
Continente e saúde em beleza
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No retalho alimentar e no segmento de saúde, bem-estar e beleza, “a MC voltou a destacar-se com um ano notável”, assinala a irmã de Paulo Azevedo, o chairman da Sonae.
O volume de negócios da “cash cow” do grupo atingiu 8,9 mil milhões de euros em 2025, mais 16% do que no ano anterior e 7,9% numa base comparável.
“Este desempenho reflete uma forte execução operacional, benefícios de escala e investimento disciplinado na expansão e no reforço de capacidades em ambos os segmentos, reforçando a liderança de mercado da MC e o seu perfil de criação de valor no longo prazo”, enfatiza o grupo com sede na Maia.
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No segmento alimentar, a dona do Continente, “mantendo ganhos de quota de mercado ao longo do ano” em que inaugurou mais 13 supermercados, registou um aumento de 10% na faturação para 7,1 mil milhões de euros.
No segmento de saúde e beleza, a MC “reforçou ainda mais a sua posição como um ‘player’ líder na Península Ibérica, alavancando a escala e o posicionamento complementar da Wells, Druni e Arenal para acelerar o crescimento e reforçar a competitividade”.
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O volume de negócios desta área em 2025 aumentou para 1,8 mil milhões de euros, com as vendas LfL a crescerem 5,6%, “refletindo a consolidação integral da Druni, um crescimento orgânico robusto e a contínua expansão da rede na Península Ibérica”, com 42 lojas abertas durante o ano, tendo a Druni entrado também no mercado português, terminando 2025 com quatro lojas no país.
“A parceria com a família Casp na Druni revelou-se um passo decisivo, estabelecendo uma plataforma líder na Península Ibérica juntamente com a Wells. Estou muito confiante no potencial de criação de valor de longo prazo desta via de crescimento num mercado com fortes tendências estruturais favoráveis”, afirma Cláudia Azevedo.
Worten e Musti em alta
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Na Worten, o volume de negócios aumentou 7,5%, para 1,5 mil milhões de euros, “suportado por um sólido crescimento das vendas LfL de 5,8%, com uma contribuição positiva da eletrónica e eletrodomésticos, bem como dos serviços”, com o peso das vendas online a crescer de 17% para 20% em 2025.
No retalho de produtos e cuidados para animais de estimação, a Musti “registou progressos significativos no reforço das suas posições nos países nórdicos e alargou a sua presença geográfica” integrando a PetCity nos Bálticos – adquirida no final de 2024 – e a ZU em Portugal, adquirida à MC há três meses.
No final de 2025, a Musti tinha expandido a sua presença para sete países. Assim, o volume de negócios aumentou 14,4%, “suportado pelos negócios recentemente adquiridos, pela abertura de lojas e por uma robusta performance de vendas LfL de 3,3%”.
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A Sonae observa que “o mercado animais de estimação é um segmento com fortes tendências estruturais favoráveis de longo prazo, impulsionadas pela crescente humanização dos animais de companhia, pelas tendências de ‘premiumisation’ e por uma procura resiliente por parte dos consumidores”.
Neste contexto, a Musti assume um papel central como um motor de crescimento da Sonae neste segmento. “Mantemos elevada confiança nas perspetivas de crescimento de longo prazo da Musti e na sua relevância estratégica dentro do ecossistema de retalho da Sonae”, aponta Cláudia Azevedo.
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Sierra frenética, Nos faturou 1,8 mil milhões
No setor imobiliário, a Sierra apresentou “um desempenho excecional em 2025, acelerando o forte ‘momentum’ de 2024 e alcançando um crescimento significativo em termos homólogos”, salienta a Sonae.
Num ano em que alienou a sua participação no Fashion City Outlet, na Grécia, e no Parque Dom Pedro, no Brasil, na área dos serviços adquiriu a divisão de Real Estate Management da Unibail-Rodamco-Westfield na Alemanha, tornando-se o segundo maior gestor de centros comerciais de terceiros no país.
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Na área de gestão de investimento, a Sierra lançou o seu primeiro veículo “open-ended” em parceria com o Crédito Agrícola, tendo os centros comerciais Arrábida e GaiaShopping como ativos “seed”.
No âmbito da diversificação setorial, “o ano terminou com a criação de uma ‘joint venture’ relevante para a plataforma PBSA [alojamento para estudantes] da Sierra e com a aquisição do primeiro ativo”, tendo também “aquisições em curso para expandir a carteira de ‘build-to-sell’ e ‘build-to-rent’ na Península Ibérica”.
O resultado líquido da Sierra atingiu 110 milhões de euros em 2025, “suportado principalmente por um desempenho operacional mais forte e pela melhoria das avaliações dos centros comerciais”.
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Nas telecomunicações e tecnologia, o volume de negócios da Nos aumentou 1,6% para 1,8 mil milhões de euros, enquanto o EBITDA cresceu 4% para 681 milhões.
“O resultado líquido, excluindo impactos não recorrentes, aumentou 55 milhões de euros em termos homólogos”, frisa o grupo, acrescentando que “nas contas consolidadas da Sonae, a contribuição da Nos pelo método de equivalência patrimonial ascendeu a 92 milhões de euros em 2025”.
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“Fazemos o que está certo”
“Estes resultados notáveis refletem a força das nossas propostas de valor vencedoras, que reforçam consistentemente as posições de liderança dos nossos negócios, ao mesmo tempo que mantemos disciplina na melhoria da eficiência e na tomada rigorosa de decisões de investimento”, afirma Cláudia Azevedo.
Manifestando confiança na força do portefólio da Sonae, que “se encontra bem posicionado para a criação de valor no longo prazo”, considera-o “equilibrado tanto do ponto de vista geográfico como setorial, com todos os negócios a deterem posições relevantes nos seus mercados com propostas de valor sólidas, beneficiando da exposição a mercados com fortes tendências estruturais favoráveis”.
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Face à fortíssima valorização do grupo na bolsa, a CEO não perdeu a oportunidade para frisar que “evolução do preço da ação da Sonae destacou-se este ano”.
“Fazemos o que está certo”, remata Cláudia Azevedo.
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Compras e vendas
Relativamente ao investimento consolidado de 612 milhões de euros em 2025, os grandes destaques vão para a conclusão da aquisição da Claranet Portugal pela Nos, assim como da divisão de Real Estate Management da Unibail-Rodamco-Westfield, tornando-se o segundo maior gestor de centros comerciais de terceiros na Alemanha, e ainda a compra da ZU pela Musti, expandindo a Portugal a sua presença no setor da alimentação para animais, acessórios e serviços veterinários.
Do lado das vendas, destacam-se a alienação das suas insígnias de retalho de moda, a MO e a Zippy, e o acordo da Sierra para a venda da totalidade da sua participação de 25,86% no centro comercial Parque Dom Pedro Shopping no Brasil.
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42% de mulheres em funções de liderança
Na área da responsabilidade social, a Sonae frisa que apoiou as comunidades com mais de 35 milhões de euros em 2025, distribuídos por mais de 1.400 instituições e beneficiando mais de 382 mil pessoas em projetos educativos.
Ao nível da diversidade e inclusão “foram alcançados progressos significativos, em particular na paridade de género, com 42% dos cargos de liderança ocupados por mulheres no final do ano”, exalta.
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