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Banco de Portugal quer saída de Isabel dos Santos da estrutura acionista do EuroBic

O supervisor bancário criou um gabinete de crise para avaliar a situação do EuroBic.

Miguel Baltazar
Negócios jng@negocios.pt 20 de Janeiro de 2020 às 18:15
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O Banco de Portugal quer alterar a estrutura acionista do EuroBic e estará a fazer pressão para retirar Isabel dos Santos, avança a SIC esta segunda-feira, 20 de janeiro. Para avaliar a situação do banco, o supervisor criou mesmo um gabinete de crise, segundo a mesma fonte.

 

Num comunicado emitido na sequência da notícia, o Banco de Portugal explica que pediu hoje ao EuroBic "informação que permita avaliar o modo como a referida instituição analisou e deu cumprimento aos deveres a que está sujeita em matéria de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo (BCFT)".

Em função da informação recebida, o supervisor bancário irá retirar as "devidas consequências, nomeadamente em matéria prudencial e contraordenacional", acrescenta o comunicado.

"Nos últimos anos, o Banco de Portugal tem vindo a acompanhar de forma muito próxima a atividade do EuroBic. Esse acompanhamento envolveu a aplicação de um conjunto muito significativo de medidas de supervisão destinadas a reforçar, nas suas diferentes dimensões, os mecanismos de governo interno da instituição, incluindo os relativos ao controlo do BCFT", diz ainda o Banco de Portugal.

A notícia surge na sequência do Luanda Leaks, uma investigação jornalística aos negócios da empresária angolana Isabel dos Santos, que revela como a filha do antigo presidente de Angola fez chegar pelo menos 115 milhões de dólares dos cofres da Sonangol a uma sociedade do Dubai, a Matter Business Solution.

As informações recolhidas pelo consórcio de jornalistas confirmam que a Matter Business Solution tinha como única acionista declarada a portuguesa Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da Nos, contando com o apoio do advogado pessoal da empresária, o português Jorge Brito Pereira (sócio da Uría Menéndez, o escritório de Proença de Carvalho), e do presidente do conselho de administração da Efacec, Mário Leite da Silva, gestor português muito próximo da filha de José Eduardo dos Santos.

Isabel dos Santos foi presidente do conselho de administração da Sonangol entre junho de 2016 e novembro de 2017, até ser exonerada pelo novo presidente João Lourenço, que colocou Carlos Saturnino na liderança da petrolífera.

Documentos analisados na investigação revelam que, em menos de 24 horas, a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa, banco de que Isabel dos Santos é a principal acionista, foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à saída da empresária.

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