Banca & Finanças Faria de Oliveira defende que havia "racionalidade" no investimento da CGD em Espanha

Faria de Oliveira defende que havia "racionalidade" no investimento da CGD em Espanha

Tal como Carlos Costa, também Fernando Faria de Oliveira defende que a aposta da Caixa Geral de Depósitos tinha "sentido estratégico". O problema foi a crise em Espanha, argumenta o engenheiro que preside à Associação Portuguesa de Bancos em resposta à reportagem da revista Sábado.
Faria de Oliveira defende que havia "racionalidade" no investimento da CGD em Espanha
Paulo Duarte/Negócios
Diogo Cavaleiro 21 de julho de 2016 às 17:01

Fernando Faria de Oliveira considera que havia "racionalidade" na operação da Caixa Geral de Depósitos em Espanha, que liderou ao lado do actual governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Havia, também, um "sentido estratégico" na expansão do grupo português para o país vizinho, defende o agora presidente da Associação Portuguesa de Bancos que foi presidente da comissão executiva do Banco Caixa Geral (Espanha) entre 2005 e 2007.

 

A defesa do engenheiro que preside à APB, avançando argumentos que diz que vai usar na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, deve-se à reportagem da revista Sábado que indica que a expansão do banco público português em Espanha custou, pelo menos, 1.000 milhões de euros ao grupo. Faria de Oliveira diz que a "contribuição líquida da operação" é de 483,7 milhões de euros, mas a revista fala em mecanismos, como a passagem de créditos maus da filial, Banco Caixa Geral, para a sucursal (fora da alçada do regulador espanhol), que ascendem a factura.

 

"Em 2007, deu-se a abertura da sucursal da CGD em Espanha, para actuar, em complemento do BCG e da Caixa BI, como uma plataforma operacional para operações de maior dimensão, onde se incluíam projectos de corporate finance, financiamentos em sindicatos bancários e créditos a empresas", defende Faria de Oliveira na nota enviada às redacções.

 

No esclarecimento enviado esta quinta-feira, 21 de Julho, Faria de Oliveira explica que a entrada no Banco Simeón, depois Banco Caixa Geral, começou no segundo semestre de 2005 e "compreendeu duas fases": a primeira foi entre 2005 e 2007, para o "saneamento, revitalização e break-even"; a segunda entre 2008 e 2010, para "consolidação e rentabilidade". Segundo o engenheiro, que "a primeira fase foi concluída, ultrapassando-se todos os objectivos".


"O crash sem precedentes"

 

O problema, defende Faria de Oliveira, deu-se na segunda fase (quando já não estava na liderança da filial espanhola mas sim na presidência da administração do grupo Caixa Geral de Depósitos). "A segunda foi afectada pelo eclodir da crise em Espanha e o banco teve de realizar, a partir de 2012, um novo plano de reestruturação".

 

Tudo se deveu à crise espanhola. "Com o ‘crash’ sem precedentes de 2008, que provocou uma grande crise imobiliária (e económica) em Espanha, os resultados das instituições bancárias espanholas foram inevitavelmente afectados, incluindo, obviamente, a operação da CGD, que viu o seu projecto de expansão prejudicado e tornou necessária a adopção de uma diferente estratégia, adaptada às novas circunstâncias".

 

Mas, diz Faria de Oliveira, "a taxa de morosidade do crédito do Grupo CGD em Espanha – Banco Caixa Geral e a sucursal - foi sempre bem inferior à da média da banca espanhola, e a relação entre as imparidades e o crédito total concedido também se revelou mais favorável. Estas comparações são extremamente relevantes, principalmente quando o contexto global é de fortes perdas na banca, sector que reflecte sempre o estado da economia". Em 2012, houve uma nova reestruturação, com corte da dimensão.

 

A nota conclui com a garantia de Faria de Oliveira de que "as medidas tomadas para fazer face ao contexto da crise permitiram que o Banco Caixa Geral, novamente reestruturado e com menor dimensão, apresentasse já resultados francamente positivos em 2014 e 2015 e que os prejuízos da Sucursal se tivessem reduzido significativamente". 

 

Também esta quinta-feira, Carlos Costa, numa nota enviada pelo Banco de Portugal, defendeu a sua actuação enquanto presidente do Banco Caixa Geral (Espanha) e administrador da Caixa Geral de Depósitos para a área internacional entre 2005 e 2006. No comunicado, Carlos Costa também ressalvou que, "com a reestruturação, o Banco Caixa Geral registou em 2006 resultados positivos ao contrário dos anos anteriores, como se pode verificar no relatório do exercício que é público". 




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