Lucro do HSBC desce mais do que o previsto e leva acções a caírem 5%
Os resultados do HSBC foram castigados por itens extraordinários ligados a multas e acordos extra-judiciais. As acções estão a cair em força numa altura em que a polémica com a unidade suíça se mantém.
No meio da polémica em torno da ajuda que a filial suíça deu para a evasão fiscal, o HSBC apresentou os resultados relativos a 2014 com uma quebra dos lucros superior à antecipada pelos analistas.
O lucro antes de impostos ficou-se pelos 18,7 mil milhões de dólares (16,4mil milhões de euros) em 2014, 17% abaixo dos 22,6 mil milhões alcançados no ano anterior, de acordo com o comunicado de resultados. Os analistas consultados pela Bloomberg apontavam para uma descida inferior, apenas para os 21,5 mil milhões de dólares. O banco diz que, sem itens extraordinários (custos legais) e sem conversão cambial, o resultado do ano passado seria idêntico.
"O lucro desapontou", admitiu o presidente executivo, Stuart Gulliver. "O desempenho do HSBC em 2014 reflectiu outro ano de consolidação da mudança e do fortalecimento do grupo num cenário de contratempos geopolíticos e económicos, muitos dos quais não poderiam ter sido previstos no início do ano", comenta o presidente do conselho de administração Douglas Flint no comunicado de resultados.
Um dos motivos para o lucro mais baixo do que o estimado foram os custos relacionados com provisões e relacionados com multas. Já a margem financeira (base de receitas de um banco, já que agrega a diferença entre juros cobrados em créditos e pagos em depósitos) caiu para 34.705 milhões de dólares.
O banco sublinha que, em termos de capital, o rácio common equity tier 1, utilizado para medir a força dos activos e compará-los face ao seu risco, ficou em 10,9% em 2014, acima dos 10,8% atingidos no ano anterior.
CEO também tinha conta na Suíça
No comunicado, o banco fala no escândalo em torno da unidade suíça e da fuga ao fisco, dizendo que estão em causa "práticas históricas inaceitáveis". "Não podemos alterar o passado mas, com os olhos no futuro, podemos e queremos reforçar o controlo e mostrar provas da sua eficácia", evidenciou Flint no comunicado.
Palavras escritas depois de, no fim-de-semana, o HSBC da Suíça já ter sido tema de notícias. O Guardian avançou que Gulliver, o CEO, também tinha uma conta no banco suíço, com domicílio oficial em Hong Kong. A instituição financeira reagiu dizendo que os impostos foram pagos no Reino Unido e que não a utilizou para fugir ao pagamento de impostos.
Acções afundam 5%
Enquanto as bolsas europeias estão em forte alta, o índice londrino segue a perder 0,20%. A contribuir para este desempenho encontra-se, em grande medida, o HSBC.
As acções do banco seguem a recuar 5,24% para 573,50 pence, uma cotação que não era vista desde Setembro de 2012.