Lucros do banco Sabadell caem 2,8% em 2025 para 1,7 mil milhões de euros
Estes são os primeiros resultados anuais do Sabadell depois da Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil de que foi alvo por parte do também espanhol BBVA, operação que falhou em outubro de 2025.
O banco espanhol Sabadell teve lucros de 1.775 milhões de euros em 2025, menos 2,8% do que no ano anterior, anunciou esta sexta-feira o grupo financeiro.
A queda dos lucros ocorreu num contexto de queda das taxas de juros e num ano em que o Sabadell vendeu a filial britânica (TBS) por 2.650 milhões de libras (3.000 milhões de euros).
Segundo banco, sem impactos extraordinários, que calcula em 109 milhões de euros, os lucros em 2025 teriam aumentado 3,4%.
Em 2025, o Sabadell teve uma margem de juros (a diferença entre juros pagos e cobrados) de 4.837 milhões de euros (menos 3,7% do que em 2024), comunicou o banco à Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV).
As comissões líquidas cresceram para 1.384 milhões (mais 2%) e as receitas do negócio bancário (que junta a margem de juros e as comissões) alcançaram 6.221 milhões de euros (menos 2,5%).
O banco anunciou um programa de recompra de ações de 800 milhões de euros e assegurou que os resultados de 2025 confirmam o previsto no Plano Estratégico do Sabadell para 2025-2027.
Este são os primeiros resultados anuais do Sabadell depois da Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil de que foi alvo por parte do também espanhol BBVA, operação que falhou em outubro de 2025.
O banco anunciou na quinta-feira que Marc Armengol será o novo presidente executivo (CEO) do Sabadell a partir de maio, substituindo César González-Bueno.
O quarto maior banco de Espanha anunciou há um ano que voltava a ter a sede social na Catalunha, de onde a retirou em 2017 por causa da tentativa de independência da região.
Em outubro de 2017, após um referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha e uma declaração unilateral de independência por parte do parlamento e do governo autonómicos, cerca de 3.000 empresas retiraram as sedes da região e transferiram-nas para ouras comunidades autónomas de Espanha.
O Sabadell - fundado em 1881 na cidade catalã do mesmo nome - foi a primeira das grandes empresas a tomar a decisão de regresso da sede à Catalunha.
Outro grande banco de Espanha de origem catalã, o CaixaBank, que em Portugal controla o BPI, tem assegurado que não pretende voltar a ter a sede social na Catalunha e que a manterá na Comunidade Valenciana.
Em 2017, os bancos justificaram as transferências das sedes com a necessidade de segurança jurídica, de garantirem a proteção das regras de supervisão do BCE (Banco Central Europeu) e de continuarem a operar com toda a normalidade dentro do sistema bancário europeu.
A Catalunha tem, desde agosto de 2024, o primeiro governo regional não independentista em 14 anos e um parlamento autonómico em que os partidos separatistas perderam a maioria absoluta que mantiveram durante mais de uma década.
Por outro lado, o Sabadell avançou com a decisão coincidindo com a OPA hostil do BBVA.
O governo regional catalão e os principais atores políticos e económicos da Catalunha alinharam-se com o Sabadell contra a intenção do BBVA.
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