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Manuela Ferreira Leite pede "ponderação" em eventual nacionalização do Novo Banco

Portugal deve preocupar-se com a soberania, de forma a evitar ficar apenas com bancos estrangeiros. Daí que se deva fazer uma análise geral ao sistema financeiro, defende a ex-ministra das Finanças.

Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2016 às 10:25
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O Novo Banco ainda tem tempo para ser vendido. Por isso, a opção de nacionalizar no imediato a instituição financeira herdeira do Banco Espírito Santo não deve ser a escolhida, segundo Manuela Ferreira Leite. Mas a manutenção do banco na esfera pública é algo que deve ser ponderado, até pelos movimentos de consolidação que estão em curso na Europa, admite a ex-ministra das Finanças. 

 

Há uma data – Agosto de 2017 – para se tentar vender o Novo Banco e isso dá tempo para uma "análise". E essa é a "perspectiva" actual. "Ainda falta muito tempo", notou a ex-ministra das Finanças no programa da TVI "Política Mesmo", apesar de sublinhar que não é bom ter uma data fixada por pode precipitar uma desvalorização do banco.

 

Há, assim, um momento de "espera suficiente" que permitirá perceber se é possível "vender o banco em condições benéficas, não só em termos financeiros [preço] mas em termos de todo o sistema financeiro". A antiga governante defende que não deve haver precipitações, defendeu a antiga governante.

 

"Nacionalizar o banco, neste momento? Não creio que exista essa urgência. Acho que há tempo para ponderar, é uma situação que deve ser ponderada. Deve ser ponderada numa visão global do que queremos para o sistema financeiro", afirmou Manuela Ferreira Leite em resposta à proposta do PCP para nacionalizar o Novo Banco e à posição do PS, de que é uma matéria a analisar.

É importante "não perder a soberania"

 

No espaço habitual de comentário na TVI, defende que "é provável" que o sistema financeiro venha a promover fusões e, nesse âmbito, deve ter-se um cuidado para "não perder a soberania" - mas não a soberania "que está nos tratados".

 

"Faço parte das pessoas que temem a não nacionalização – no sentido de não serem bancos nacionais, com capitais nacionais – do nosso país", sublinhou a ex-ministra de Governos PSD. "É necessário a um país que quer crescer e desenvolver-se ter uma banca nacional, no sentido de ter capitais nacionais para poder dar força ao sistema financeiro", justificou.

"É uma preocupação que tenho". Manuela Ferreira Leite deu um exemplo: Espanha. Portugal tem relações comerciais com o país vizinho, tendo também muitas empresas concorrentes. A ex-ministra "tinha pouca confiança em que uma instituição espanhola", se fosse o grande banco em Portugal, escolhesse uma empresa portuguesa, em detrimento de uma da sua nacionalidade, se tivesse de fazer "opções estratégicas".

 

O tema da nacionalização do Novo Banco voltou a estar em cima da mesa, com as considerações feitas por Vítor Bento que disse que tal poderia ajudar a que houvesse um grande banco nacional, em detrimento de um estrangeiro, a liderar o processo de concentração que acredita estra em curso. Entretanto, o PCP – que há muito defende a nacionalização – veio propor a manutenção do banco no perímetro estatal, que o BE também vê com bons olhos. O PS não fechou a porta, falando na análise da operação, num momento em que o Banco de Portugal até já relançou o processo de venda da instituição financeira, depois do falhanço do primeiro concurso internacional. 

Os trabalhadores do banco presidido por Eduardo Stock da Cunha defendem também a nacionalização, de forma a impedir o despedimento colectivo de 500 trabalhadores que está a ser ponderado. 

Neste momento, é ainda incerta a dimensão dos custos de uma eventual nacionalização do Novo Banco, que já recebeu 3,9 mil milhões de euros do Tesouro português aquando da sua constituição. Certo é que a manutenção do banco na esfera do Estado viola os compromissos europeus. 

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