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Quase 10% do crédito às empresas foi reestruturado

As reestruturações de créditos, que implicam renegociação de prazos e de preços dos financiamentos, já representam 5,8% da carteira da banca nacional. De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira, o peso do crédito reestruturado é maior no segmento empresarial.

28 de Maio de 2013 às 12:13

Quase 10% do crédito às empresas, que representa cerca de metade do financiamento a entidades não financeiras em Portugal, foi objecto de reestruturação, ou seja, de renegociação de prazos e de condições comerciais. Os dados do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado esta terça-feira pelo Banco de Portugal, mostram que 9,8% destes financiamentos foram renegociados.

Para o conjunto do sistema, o rácio de crédito reestruturado era de 5,8% no final de 2012. O segmento com maior índice de reestruturações é o do crédito para consumo e outros fins, cujo peso no sistema é pequeno, uma vez que aquele rácio atinge 11,5%. Já o crédito à habitação apresenta o nível mais baixo, de apenas 1,8%.

O Relatório de Estabilidade Financeira alerta que estes valores podem estar subavaliados, uma vez que a instrução do Banco de Portugal que introduziu a necessidade de as instituições financeiras identificarem os créditos reestruturados admite que esta marcação seja feita de forma faseada. Assim, “os primeiros períodos reportados deverão ser objecto de uma análise prudente, uma vez que a prática de marcação deste tipo de créditos para alguns bancos ainda não se encontrava estabelecida nos processos implementados”.

O peso do crédito a empresas nas reestruturações reflecte o facto de o nível de incumprimento entre estes clientes ser também mais elevado do que no conjunto do sistema. No final de Março, e de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira, o nível de incumprimento entre as empresas era de 11,5%, contra 7,7% no final do primeiro trimestre de 2012, sendo particularmente evidente nos sectores da construção (20%), imobiliário (quase 15%) e comércio (perto de 14%).

Já entre os particulares, o incumprimento era de 4,5% a 31 de Março, contra os 3,8% um ano antes.

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