Banca & Finanças Ramalho: Separaram a família Espírito Santo do banco, mas deixaram os amigos

Ramalho: Separaram a família Espírito Santo do banco, mas deixaram os amigos

António Ramalho, presidente do Novo Banco, explicava o porquê de alguns créditos tóxicos terem ficado no Novo Banco.
Ramalho: Separaram a família Espírito Santo do banco, mas deixaram os amigos
António Cotrim/Lusa
Rita Atalaia 21 de março de 2019 às 19:16

A resolução do Banco Espírito Santo (BES) separou a família Espírito Santo do chamado banco "bom", mas não separou os "amigos". A afirmação foi feita por António Ramalho, presidente do Novo Banco, perante os deputados, explicando que é por isso que continua a haver créditos tóxicos no banco que lidera. 

 

Em resposta ao deputado socialista João Paulo Correia sobre o porquê de alguns ativos tóxicos se terem mantido no Novo Banco, António Ramalho começou por relembrar a complexidade do processo em torno da criação do Novo Banco após a resolução. 

 

Nesse sentido foi necessário retirar os ativos mais arriscados, como as operações em Angola, em Miami e na Líbia e todo o negócio da família Espírito Santo. "Mas se separaram a família, não separaram a ‘family and friends’ (a família e os amigos)", afirmou o presidente do Novo Banco.

António Ramalho disse ainda que a resolução do BES "não foi preparada totalmente" e considerou "insuficientes" os 4,9 mil milhões de euros injetados à data da operação.

 

Novo Banco recuperou 1,5 mil milhões nos 44 créditos mediáticos 

Quanto aos 44 créditos mais problemáticos do Novo Banco, o gestor adiantou que já foi possível recuperar mais de mil milhões de euros. 

 

"Dos 44 créditos mais mediáticos, no valor de 4,2 mil milhões de euros, já recuperámos 1,5 mil milhões de euros", afirmou o responsável pela instituição financeira que resultou da resolução do Banco Espírito Santo, em agosto de 2014. 

 

Deste montante, foram recuperados "500 milhões de euros em imóveis e mil milhões em dinheiro", explicou ainda António Ramalho aos deputados numa audição realizada esta quinta-feira, 21 de março, pedida pelo PSD e aprovada por unanimidade pelos restantes partidos, depois de o banco ter anunciado que vai pedir mais 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

 

Numa entrevista ao Negócios, no ano passado, o gestor explicou que o mecanismo de capital contigente está "está dividido em duas estruturas: 44 créditos fundamentais, em que está o grosso dos problemas, e um conjunto de créditos granulares que têm já alguns sinais de imparidades mas que são geridos como um todo". 

 

 




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI