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Construtora do Tâmega tenta salvação com buraco de 1,3 mil milhões de euros

Banca detém 96% dos créditos reclamados. Sindicato da construção diz que a empresa já não labora.

Reuters
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A sexagenária Construtora do Tâmega, com longa tradição em serviços de engenharia e obras públicas em Portugal, especialmente na Região Autónoma da Madeira, mas também nos PALOP, está a tentar salvar-se através de um Processo Especial de Revitalização (PER). Mas às costas tem 580 credores que representam uma dívida que chega quase aos 1,3 mil milhões de euros.

Na lista de credores publicada esta semana, destaca-se o peso dos bancos na dívida da construtora. Os créditos da banca ascendem a 1,2 mil milhões de euros, ou seja, 96% da dívida reclamada. O BCP, liderado por Nuno Amado, está destacado na liderança da lista de credores com 313 milhões de euros.

Aliás, dos 11 bancos credores, oito são nacionais (estão representados todos os grandes ‘players’ do sector). A exposição da banca portuguesa é de 914,5 milhões de euros, o que representa 72% da dívida total da empresa liderada pelo angolano António Castelhano Maurício.

Quanto aos restantes credores, destaque ainda para o Estado português que reclama 13,7 milhões de euros, dos quais 10 milhões pertencem às Finanças e o restante à Segurança Social. Relevante ainda a dívida à Mota Engil, grupo de que nasceu a Construtora do Tâmega, que reclama agora 3,2 milhões de euros.

"Essa empresa vai desaparecer"

Há ainda 159 trabalhadores da construtora que, no total, exigem 3,14 milhões de euros. O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, já não acredita no futuro da construtora. "Essa empresa, infelizmente, vai desaparecer. Infelizmente, porque durante muitos anos foi uma grande construtora", avança, lamentando ainda os acordos que a empresa não cumpriu com os trabalhadores.

O presidente do sindicato está ainda céptico quanto à possibilidade de os trabalhadores receberem o dinheiro em dívida. "Não têm nada para penhorar. A situação é negra para os trabalhadores", refere Albano Ribeiro, que diz que tem a decorrer dois processos-crime contra a construtora por abuso de confiança. "Eles ficavam com o dinheiro da cotização do sindicato", refere. O mesmo representante dos trabalhadores diz que actualmente a empresa não labora. "Os trabalhadores que mantêm contacto connosco dizem que ninguém está a trabalhar".

Um outro credor da construtora, contactado pelo Negócios, que não se quis identificar por ser parte interessada no processo, também não acredita na viabilidade do processo de revitalização. O mesmo confessou ter ficado "atónito" com o valor da dívida. "Com este valor e dada a situação, penso que o PER é apenas um expediente, porque a empresa devia ir para insolvência", justifica. "Não sei como a banca deixa chegar isto a este ponto, era uma empresa sem carteira de encomendas", remata.

O Negócios tentou contactar a administração da Construtora do Tâmega, mas tal não foi possível até ao fecho da edição.

 
Vallis não foi contactada para ajudar a recuperar

O fundo Vallis, dedicada à recuperação de empresas de construção, através do presidente Pedro Gonçalves, diz que não foi contactado para analisar o caso da Construtora do Tâmega. E explica o processo que leva a que o fundo olhe para empresas em dificuldades. "Ou parte da vontade dos accionistas das empresas, ou de entidades financeiras que tenham maior envolvimento, e só marginalmente do fundo", revela. Recorde-se que a Construtora do Tâmega nasceu do grupo Mota Engil em 1946. Em 2010, passou a ter como principal accionista a Finertec, empresa que lançou uma OPA, concluída em 2009, e passou a ser dominada por capitais angolanos.

 
Recusou estar insolvente e quer reestruturar

Em Fevereiro, tal como o Negócios noticiou, a empresa no arranque do PER assumia a situação difícil. Nessa data, os créditos reclamados eram ainda de 381 milhões de euros, a que num mês se somaram mais 900 milhões. A Construtora Tâmega assumia que vivia com atraso acumulado no pagamento de salários; incumprimento nos pagamentos a fornecedores, bancos e ex-colaboradores da empresa; e dificuldade constante em garantir o atempado pagamento das obrigações fiscais. No entanto, recusava estar em situação de insolvência e dizia acreditar no plano de restruturação da dívida com a banca e na expansão dos negócios a nível internacional.

 

 

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