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Covid-19: Construção prevê impacto direto de 493 milhões e pede apoios temporários

As associações do setor da construção estimam que num cenário de paragem de obras a queda do volume de negócios destas empresas atingiria 1,77 mil milhões de euros. Pedem medidas extraordinárias, como a suspensão, por dois meses, das obrigações fiscais e contributivas.

Bloomberg
Maria João Babo mbabo@negocios.pt 18 de Março de 2020 às 11:17
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As duas associações do setor da construção - AICCOPN e AECOPS - alertaram esta quarta-feira para os "pesados impactos" da crise gerada pelo surto do novo coronavírus nas empresas que representam, frisando que "qualquer paragem da atividade gera um efeito imediato de suspensão dos pagamentos".


Em comunicado, lembram que as empresas do setor não têm stocks para venda durante o período de crise, nem existe a possibilidade de colocar os trabalhadores em regime de teletrabalho "pelo que, o efeito na tesouraria deste tecido empresarial é uma realidade incontornável e muito significativa".

 

Numa primeira estimativa, apontam, tendo por referência os dados relativos ao mês de março de 2019, a paralisação da atividade geraria uma redução de 1,77 mil milhões de euros no volume de negócios, mantendo-se uma despesa mensal a suportar de 435 milhões de euros, relativos aos encargos com salários e remunerações dos 306 mil trabalhadores atualmente registados ao serviço das empresas de construção. A esse montante haverá ainda que acrescer 58 milhões de euros de encargos mensais de financiamento destas empresas junto do setor financeiro.

 

Ou seja, "num cenário de suspensão das obras, a tesouraria das empresas de construção sofre um impacto direto estimado em 493 milhões de euros, gerando uma crise de liquidez imediata, com impacto transversal que seria um verdadeiro desastre económico e social", afirmam.

 

As duas associações reclamam assim que sejam implementadas medidas imediatas, orientadas para a gestão de tesouraria e de recursos humanos, como o acesso "sem burocracias e regras desnecessárias" às linhas de crédito Covid-19 e ao regime de lay-off simplificado, a suspensão, por dois meses, das obrigações fiscais e contributivas "como, no imediato, o pagamento do IVA e contribuições para a Segurança Social".


Pedem ainda o estabelecimento de uma moratória, por um prazo de três meses, das dívidas das empresas à banca, no âmbito dos contratos de crédito em curso, o pagamento imediato a todos os fornecedores do Estado, independentemente dos prazos de pagamento contratualmente definidos e o adiantamento do pagamento pelos donos de obra pública de parte ou da totalidade dos trabalhos não executados.


O setor da construção e do imobiliário, frisam, é responsável por mais de 600 mil trabalhadores.

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