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Empresas espanholas ganham 70% das obras públicas em Portugal

No último ano e meio, as construtoras portuguesas só ficaram com um terço das adjudicações acima de sete milhões de euros, não conseguindo enquadrar as propostas dentro do preço-base definido nos concursos.

Paulo Duarte
Negócios jng@negocios.pt 06 de Julho de 2020 às 09:09
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Quase 70% das obras públicas mais relevantes lançadas em Portugal no último ano e meio foram adjudicadas a empresas espanholas, com destaque para as cinco maiores a atuar em Portugal: FCC, Ferrovial, Dragados, Sacyr e Acciona.

 

As contas feitas pelo jornal Público, com base numa pesquisa aos contratos acima de sete milhões de euros inscritos no Portal Base, mostram que as empresas portuguesas ficaram com apenas um terço dos 1.431 milhões adjudicados desde o início de 2019.

 

A estratégia das construtoras espanholas para conquistar o mercado está a preocupar as concorrentes portuguesas, que não conseguem enquadrar as suas propostas dentro do preço-base definido nos concursos e alertam para os riscos do esmagamento dos preços e do aumento da litigância, com consequentes atrasos nas obras.

 

Entre os entraves ao mercado das obras públicas já identificados pelo presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) estão "a fixação pelos donos de obra de preços-base irrealistas, o que leva a que os concursos fiquem desertos ou nos quais todas as propostas fiquem acima da base, correndo-se o risco da sua ‘conversão’ em ajustes diretos".

 

Por outro lado, em declarações ao Negócios em fevereiro, Manuel Reis Campos apontava "a inexistência de critérios obrigatórios e uniformes que permitam a identificação de propostas de preço anormalmente baixo, o que conduz a decisões discricionárias por parte dos donos de obra".

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