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Dia 16: Terminou participação portuguesa com missão a fazer balanço positivo

Este domingo, 21 de Agosto, quando já for segunda em Portugal acontecerá a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos, com Telma Monteiro a ser a porta-estandarte portuguesa.

Negócios 21 de Agosto de 2016 às 10:51
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A participação dos portugueses até ao 15.º dia

Tudo começou, mesmo antes da cerimónia de abertura, com o futebol. A selecção comandada por Rui Jorge entrou em prova a 4 de Agosto, defrontando, e derrotando, a Argentina. O mesmo aconteceu no jogo seguinte frente às Honduras, tendo garantido nesse mesmo dia a passagem aos quartos-de-final. No último jogo da fase de grupos, a selecção nacional defrontou a Argélia, tendo empatado o jogo 1-1. A selecção de futebol defrontou a Alemanha nos quartos-de-final, tendo perdido por 4-0.


No ciclismo, e na prova de estrada, o melhor registo foi de Rui Costa, que terminou a prova em décimo lugar. Portugal contou ainda com a presença de André CardosoJosé Mendes e Nelson Oliveira. Este último abandonou a prova, após uma queda. Já André Cardoso ficou em 36.º e José Mendes em 53.º lugar. No contra-relógio, Nelson Oliveira terminou a prova em sétimo lugar.

 

No ténisGastão Elias e João Sousa já foram eliminados, tanto nas provas individuais como na prova de pares. João Sousa, depois de ter vencido a primeira ronda frente ao holandês Robin Haase por 2-0, caiu aos pés do argentino Martin Del Potro, que tinha eliminado na prova Novak Djokovic. Gastão Elias também passou a primeira ronda, vencendo o australiano Thanasi Kokkinakis, mas Steve Johnson ditou a saída da prova do tenista português. Em pares masculinos, Gastão Elias e João Sousa venceram a primeira ronda a dupla eslovaca Andrej Martin e Igor Zelenay por 2-0, mas acabaram por ser eliminados na segunda ronda, ao perderem contra os canadianos Vasek Pospisil e Daniel Nestor.

 

Na nataçãoAlexis Santos bateu um novo recorde nacional nos 400 metros estilos, o que ainda assim não foi suficiente para ser apurado para a final, tendo ficado em 14.º lugar. O mesmo atleta, mas nos 200 metros, conseguiu apurar-se para as meias-finais, tendo sido eliminado após ficar em 12.º lugar. Diogo Carvalho também esteve nas eliminatórias desta disciplina, mas não conseguiu passar às meias-finais, tendo ficado em 19.º. Ainda nos 400 metros estilos, nos femininos, Victoria Kaminskaya, ficou em 28.º lugar. A mesma nadadora falhou o recorde nacional dos 200 metros estilos, e ficou no 35.º lugar. Nos 800 metros livresTamila Holub, ficou em 24.º, tendo sido eliminada. Vânia Neves disputou a final de natação em águas livres, tendo terminado a prova em 24.º.
 

João Costa ficou em 11.º lugar na prova de pistola de ar a 10m, não tendo conseguido apurar-se para a final. João Costa falhou também o apuramento na pistola de ar a 50 metros, tendo ficado em 11.º lugar. 

 

No ténis de mesaShao Jieni perdeu contra a norte-americana Lily Zhang por 4-0, tendo sido afastada da competição. Já Fu Yu também perdeu, na segunda ronda, contra a tailandesa  Nanthana Komwong por 3-4. Tiago Apolónia perdeu frente ao esloveno Bojan Tokic  por 4-1, ficando assim afastado da competição individual de ténis de mesa. Marcos Freitas, 11.º jogador mundial, apurou-se para os quartos-de-final, ao bater o ucraniano de origem chinesa Lei Kou, mas ficou por aí depois da derrota frente ao japonês Jun Mizutani. Portugal foi ainda eliminado no ténis de mesa - equipas masculinas, tendo perdido por 3-1 frente à Áustria.

 

No judoJoana Ramos perdeu na segunda ronda dos -52kg contra a chinesa Yingnan Ma. Assim como Sergiu Oleinic que também falhou a passagem para os quartos-de-final nos -66Kg, depois de ter perdido contra o dominicano Walter Mateo. Ambos ficaram em nono lugar na prova. Telma Monteiro conquistou a medalha de bronze, depois de ter derrotado no último combate a romena Corina Caprioriu. Enquanto Nuno Saraiva perdeu na categoria -73 kg frente ao húngaro Miklos Ungvari, tendo sido afastado da competição. Célio Dias foi eliminado na primeira ronda dos -90kg por Celtus Dossou Yovo, atleta do Benim. O judoca Jorge Fonseca foi eliminado na categoria de -100kg pelo checo Lukas Krpalek, com um wasari. 

Na ginásticaFilipa Martins conseguiu a melhor participação de sempre de uma ginasta portuguesa na prova de ginástica artística, tendo ficado em 37.º lugar, o que não foi suficiente para se apurar para a final. No trampolim, Ana Rente falhou as finais por quatro décimos, tendo ficado em 11.º lugar. Diogo Abreu foi afastado nas eliminatórias do trampolim, tendo terminado a prova em 16.º lugar.

 

José Carvalho chegou à final de canoagem slalom C1, terminando na nona posição. Francisca Laia conseguiu apurar-se para as meias-finais de K1 200 metros, mas falhou a passagem à final A, disputando a final B, tendo ficado em último lugar. Fernando Pimenta apurou-se para a final de K1 1000 metros, mas não conseguiu chegar ao pódio, tendo terminado a sua prestação em quinto lugar. Emanuel Silva e João Ribeiro garantiram a sua passagem à final de K2 1000 metros, depois de terem acabado as meias-finais em segundo lugar. Na final, ficaram na quarta posição. 

Hélder Silva
e Teresa Portela conseguiram chegar às meias-finais de C1 200mK1 500m, não tendo conseguido disputar lugares no pódio. David Fernandes, Emanuel Silva, Fernando Pimenta e João Ribeiro apuraram-se para a final de canoagem K4 1000m, na qual ficaram em sexto lugar.

 

Na velaJoão Rodrigues iniciou na segunda-feira, 8 de Agosto, a sua sétima e última participação olímpica, tendo terminado o dia em 18.º no RS:X. Já a velejadora portuguesa Sara Carmo concluiu o primeiro dia de regatas da classe Laser Radial na 34.ª posição. Gustavo Lima terminou na 14.ª posição as duas primeiras regatas da classe Laser. Já no segundo dia de regatas, o velejador João Rodrigues subiu ao 15.º lugar da classe RS:X dos Jogos Olímpicos Rio2016, enquanto Gustavo Lima caiu para a 21.ª posição de Laser e Sara Carmo subiu a 29.ª de Laser Radial. No terceiro dia de regatas, Gustavo Lima subiu para 16.º lugar e Sara Carmo subiu para a 26.ª posição. João Rodrigues terminou o terceiro dia a um lugar e a dois pontos da medal race. Gustavo Lima terminou o quarto dia de prova em 18.º. João Rodrigues despediu-se do Rio na 11.ª posição, falhando a medal race. Sara Carmo desceu para a 28.ª. Jorge Lima e José Costa estrearam-se com dois segundos lugares no dia 1 na classe 49er. No quinto dia de competição, Gustavo Lima caiu para 22.º e Sara Carmo para 27.º. Já Jorge Lima e José Costa caíram para 11.º lugar no segundo dia na classe 49er. No terceiro dia, os dois atletas terminaram a prova em 13.º. No quarto dia de prova, estes atletas terminaram em 15.º lugar, pondo fim à sua participação nestes Jogos Olímpicos.  

Esta edição dos Jogos Olímpicos contou com a estreia do golfe, com Portugal a ser representado por dois atletas: Filipe Lima e Ricardo Melo Gouveia. O primeiro terminou o dia 1 do torneio com uma tacada abaixo do par, em 17.º lugar, tendo caído para 22.º, no segundo dia, e para 44.º no terceiro dia. Ao quarto, e último dia de competição, Filipe Lima, terminou em 48.º lugar. Já Ricardo Melo Gouveia terminou o primeiro dia com duas tacadas acima do par, em 40.º, tendo subido para 22.º no segundo dia e voltado a descer para 44.º no terceiro. No último dia este atleta terminou em 59.º.

Telma Santos, do badminton, perdeu frente à chinesa Li Xuerui por 2-0, na fase de grupos. O segundo jogo foi frente à americana Iris Wang tendo perdido por 2-1 e o terceiro foi frente à belga Lianne Tan, tendo perdido por 2-0, tendo assim terminado a sua prestação nos Jogos Olímpicos sem conseguir vencer qualquer jogo. Pedro Martins defrontou o canadiano Martin Giuffre, tendo perdido por por 2-1 o primeiro jogo da fase de grupos. No segundo jogo, o atleta português defrontou Ka Long Angus NG, de Hong Kong, tendo perdido por 2-0 e sido eliminado do torneio. 

O atletismo estreou-se com a presença de Salomé Rocha, nos 10.000 metros, com a atleta a terminar em 26.º. João Vieira e Sérgio Vieira diputaram os 20 km de marcha, ficando em 31.º e 53.º, respectivamente. Marta Pen terminou os 1.500 metros em 36.º lugar e Lorene Bazolo ficou em 28.º, ambas falhando a passagem às meias-finais. Cátia Azevedo ficou em 31.º lugar nos 400 metros, não tendo conseguido apurar-se. 

Patrícia Mamona e Susana Costa conseguiram apurar-se para as finais do triplo salto. Esta é a primeira vez que Portugal teve duas atletas na final desta modalidade. Patrícia Mamona terminou a final em 6.º lugar, tendo s
uperado o recorde nacional e ultrapassado o salto que lhe tinha dado o título europeu, ao fazer 14,65m. Susana Costa conseguiu o nono lugar com um salto de 14,12m, um valor ainda assim abaixo do seu recorde pessoal de 14,34m.

Na maratona, Dulce Felix foi a única das três atletas portuguesas que terminou a prova, tendo ficado em 16.º. Jéssica Augusto desistiu perto do quilómetro 20, enquanto Sara Moreira desistiu ao quilómetro sete.

Nelson Évora conseguiu apurar-se para a final do triplo salto. Na final ficou em sexto lugar, tendo sido o primeiro entre os europeus, mas ficou fora do pódio. Lorene Bazolo voltou a competir, desta vez nos 200 metros, tendo terminado a prova em 30.º. Vera Barbosa também correu os 400 metros barreiras, tendo ficado em 32.º lugar. Maria Leonor Tavares e Marta Onofre participaram no salto à vara, tendo terminado em 29.º e 24.º lugares, respectivamente. Na marcha, Ana Cabecinha terminou a prova de 20 Km na sexta posição. Inês Henriques terminou em 15.º lugar e Daniela Cardoso chegou na 37.ª posição. Pedro Isidro foi o melhor português nos 50km marcha, ao terminar em 32.º lugar. Miguel Carvalho cortou a meta em 36.º lugar. Já João Vieira desistiu da prova depois de ter feito os primeiros 10 quilómetros.


No triatlo, João Pereira ficou em 5.º lugar, conquistando outro diploma olímpico para Portugal; João Silva terminou na 35.ª posição e Miguel Arraiolos na 44.ª posição.

A cavaleira Luciana Diniz concluiu a primeira ronda de qualificação de saltos em 53.ª posição, tendo oito pontos de penalização. A cavaleira garantiu um lugar na segunda ronda de qualificação da prova, ao conseguir um percurso sem penalizações. Luciana Diniz conseguiu a passagem à final, na terceira ronda de qualificação. A cavaleira conseguiu passar à "finalíssima" tendo terminado a prova em nono lugar.

No taekwondo -58 kg, Rui Bragança ainda conseguiu apurar-se para os quartos-de-final, onde foi eliminado.

O que se vai passar hoje
A participação de Portugal nos Jogos Olímpicos ainda não terminou. Este domingo, 21 de Agosto, último dia dos Jogos, Portugal participa com dois atletas na maratona masculina. A partir das 13:30, Ricardo Ribas e Rui Pedro Silva correm a maratona.

A partir das 16:30 David Rosa e Tiago Ferreira disputam a prova de ciclismo BTT - XCO. 

Terminará aqui a participação nacional nos Jogos. A cerimónia de encerramento acontecerá a partir da meia noite em Portugal, tendo o Comité Olímpico já comunicado que Telma Monteiro será a porta-estandarte portuguesa. Em comunicado o Comité explica que a escolha foi feita pelo chefe de missão, José Garcia, que justifica "esta decisão pelo facto de a atleta ter conquistado a medalha de bronze para a delegação portuguesa". Telma Monteiro já tinha sido porta-estandarte na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos Londres 2012.
Maratonistas portugueses acima do centésimo lugar
Rui Pedro Silva e Ricardo Ribas acabaram a maratona acima do 100.º lugar. Rui Pedro Silva foi o primeiro português a cortar a meta no 123.º lugar, cerca de 22 minutos depois do queniano Eliud Kipchoge ter atravessado a meta em primeiro lugar, com o tempo de 2 horas, 8 minutos e 44 segundos. 

Ricardo Ribas terminou a maratona na 134.ª posição, chegando perto de meia hora depois do vencedor. 


O etíope Feyisa Lilesa conquistou a prata e o norte-americano Galen Rupp ficou com o bronze.

Na sexta-feira, citado pela Lusa, o maratonista português Ricardo Ribas tinha considerado que seria uma medalha de ouro ficar entre os 18 primeiros da maratona dos Jogos Olímpicos Rio2016, enquanto Rui Pedro Silva tinha revelar pretender acabar a prova. 

"Estar no domingo naquela partida é uma medalha de ouro. Foram três meses de preparação, preparei-me muito bem. Tenho o meu objectivo pessoal e vou lutar por ele, não o escondo. Se conseguir ser 18.º já é outra medalha de ouro", admitiu Ricardo Ribas, que fez a sua estreia olímpica aos 39 anos. Para ele, assumiu, "já é uma grande conquista estar a competir na maratona olímpica, porque é um trabalho de 30 anos". 

Já Rui Pedro Silva, que tinha desistido em Londres 2012, garantiu que "o principal objectivo será chegar ao fim e dar o melhor". "Treinei bem para conseguir cá estar. De certeza que o dia da maratona me vai correr bem", afirmou.

David Rosa desistiu da prova de cross country
O português David Rosa desistiu da prova de cross country olímpico (XCO) dos Jogos Olímpicos Rio2016, não chegando a completar a segunda das sete voltas ao circuito.

David Rosa, que na estreia em Londres 2012 foi 23.º, desistiu após ter partido a roda traseira.

Tiago Ferreira, o outro representante luso nesta vertente de BTT, segue em prova na competição, tendo completado a segunda volta no 42.º posto.
Rui Pedro Silva e Ricardo Ribas assumem sofrimento em "dia não"
Rui Pedro Silva e Ricardo Ribas assumem sofrimento em 'dia não'
Os atletas portugueses Rui Pedro Silva e Ricardo Ribas terminaram em sofrimento a maratona dos Jogos Olímpicos Rio2016, garantindo, no final, que este não foi o seu dia.

Numa prova corrida debaixo de chuva, Rui Pedro Silva terminou no 123.º posto, com um tempo de 2:30.52 horas, e Ricardo Ribas foi 134.º, com 2:38.29, marcas muito longe dos recordes pessoais e inferiores à conseguida por Dulce Félix, 16.ª na maratona feminina (2:30.39), sendo as duas piores participações lusas na distância.

"Acho que chegar ao fim já é bom. Claro que vinha com outros objectivos, mas a maratona é isto mesmo. Por volta dos 15 quilómetros comecei a sentir cãibras no posterior direito, depois foi gerir para chegar ao fim", assumiu Rui Pedro Silva, que tinha desistido em Londres 2012.

Apesar de ter sentido grande dificuldade para acabar, Rui Pedro Silva disse que meteu na cabeça que "tinha de chegar ao fim, fosse com que tempo fosse".

"Às vezes há coisas que não se explicam. Treinei bem, em condições complicadas, com muito calor, para chegar cá e me adaptar bem. Hoje talvez não era o dia", referiu.

Apesar de ter estado lesionado e apenas ter começado a treinar em maio, Rui Pedro Silva assumiu que estava "a treinar bem, forte, ao mesmo ritmo do que quando preparava as outras maratonas" e que "os indicadores eram bons, mas hoje não era o dia".

"Fiz uma preparação ideal, não tirava uma vírgula à minha preparação, mas hoje não foi o dia. Nunca estive bem na corrida... Cumpri um sonho pelo facto de estar aqui, mas prometi a mim mesmo que acontecesse o que acontecesse tinha de acabar. Nunca sofri tanto como hoje, nem nunca pensei que podia vir a sofrer tanto, mas tinha de acabar e foi até ao fim", afirmou Ricardo Ribas.

O atleta do Benfica, de 39 anos, diz que "nem em treinos" fez uma maratona tão lenta como a de hoje.

"Prometi a mim mesmo que tinha de acabar e os Jogos são os Jogos, foram os meus primeiros, não sei se voltarei a outros. Recebi uma mensagem de um ex-treinador, o Rafael Marques, a dizer que tinha de acabar e chegar ao fim e pensar que estava feliz. Foi o que fiz, pensei muito nele nos últimos 10 quilómetros, na mensagem que mandou e foi uma pessoa que me ajudou muito a terminar hoje", assumiu.

Ricardo Ribas garantiu que fez "18 quilómetros sem sumo nas pernas" e que "já não tinha mais nada para dar", dizendo ter sofrido muito a nível físico e psicológico.

"Foi tudo. É o físico, é o psicológico a querer parar, as pernas a quererem parar, são as pessoas a dizerem para não desistir, é tu pensares que já não tens mais nada, é como espremeres uma laranja e ela já não tem mais nada e ainda tens de fazer mais 10 quilómetros", descreveu.

Ribas diz que não consegue explicar o que aconteceu na corrida de hoje, foi "um dia", lembrando como garantiu a presença no Rio2016.

"Eu preparei-me para obter a marca de qualificação, cheguei a Hamburgo e desisti. Passado uma semana fui e fiz 2:13.20 horas e bati o meu recorde pessoal. Como é que se explica isto? Não consigo explicar", disse.

Questionado sobre se não teria sido melhor desistir do que terminar com um tempo cerca de 28 minutos superior ao recorde pessoal, Ricardo Ribas garante que isso "é um pau de dois bicos", pois "se desistisse criticavam, se terminasse com 2:38 vão criticar".

"Isso não me interessa, o que me interessa é que tenho uma carreira de 30 anos, tenho o meu passaporte limpo, tenho títulos, tenho 35 internacionalizações", referiu.

Ainda antes de falar com os maratonistas, o líder da equipa de atletismo portuguesa nos Jogos Olímpicos, Paulo Bernardo, disse, à agência Lusa, que os dois atletas se prepararam com uma expectativa de "ficar a meio da tabela, para cima dos 50 primeiros".

"Não conseguiram chegar a esse lugar, as condições estiveram difíceis para todos. Os nossos atletas não conseguiram chegar onde queriam, fizeram os 42 quilómetros com grande sofrimento e, infelizmente, não conseguiram fazer mais do que o que fizeram", assumiu.

O queniano Eliud Kipchoge conquistou hoje o título olímpico da maratona, ao vencer a prova em 2:08.44 horas, superando em 1.10 minutos o etíope Feyisa Lilesa (2:09.54), medalha de prata, e em 1.21 o norte-americano Galen Rupp (2:10.05, medalha de bronze.
Atletismo faz balanço positivo
O líder da equipa de atletismo portuguesa, Paulo Bernardo, fez, à agência Lusa, um balanço positivo da participação nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e lembrou os parcos recursos da modalidade.

"O balanço é positivo, nós tivemos três finalistas e três semifinalistas e o nível desta competição ainda foi mais elevado do que em Londres. E em todos os ciclos olímpicos cresce", assumiu.

Os sextos lugares de Nelson Évora e Patrícia Mamona, no triplo salto, e de Ana Cabecinha, nos 20 km marcha, foram os destaques da participação dos 23 atletas portugueses no Rio de Janeiro, além dos lugares de semifinalista de Susana Costa (nona no triplo), Inês Henriques (12.ª nos 20 km marcha) e Dulce Félix (16.ª na maratona).

"Nós temos uma pesada herança de sermos a única modalidade que tem quatro medalhas de ouro, o que coloca sempre muita atenção e muita exigência de quem não acompanha a modalidade e o desporto, porque acha que é normal que se consigam medalhas no atletismo. Todos os países investem milhões na modalidade e nós continuamos com parcos recursos para apostar na nossa modalidade", afirmou.

Foram várias as queixas de falta de condições e apoios por parte de atletas de várias modalidades no Rio2016, com Paulo Bernardo a salientar o plano de apoio ao alto rendimento da federação de atletismo, que "apoia os atletas que ainda não têm marcas para ir aos Jogos Olímpicos para que eles consigam preparar-se minimamente".

Contudo, esse valor "não é comparável" com o financiamento dado aos atletas do Projecto Olímpico, com o responsável a salientar que "um financiamento para o atleta depois de ele chegar ao topo é importante e fundamental, mas a grande dificuldade é colocar o atleta no topo".

"Um atleta para estar aqui tem de estar nos 30, 40 melhores do mundo, porque senão não conquista uma vaga para estar nos Jogos Olímpicos", lembrou.

No Rio2016, foram vários os atletas que se estrearam em Jogos Olímpicos, alguns dos quais ainda pouco experientes, pelo que Paulo Bernardo tem "a expectativa de que estes atletas mais jovens consigam chegar lá a um muito melhor nível"

"O Tsanko Arnaudov foi medalha de bronze no Europeu, a Marta Pen foi sexta classificada. Nós temos aí um conjunto de atletas com muito valor que, se tiver os apoios certos e conseguir ter um pouco de sorte, pode chegar aos Jogos Olímpicos em melhor estado e ter uma prestação de elevado nível", assumiu.
Tiago Ferreira fora da prova de "cross country"
Tiago Ferreira foi hoje eliminado da prova de cross country olímpico (XCO) dos Jogos Rio2016, deixado a corrida de BTT sem portugueses, depois do abandono de David Rosa.

Na quinta das sete voltas, Tiago Ferreira, campeão mundial de maratonas e estreante em Jogos Olímpicos, foi mandado encostar com base na regra que determina o afastamento dos corredores com um tempo de atraso superior em 80% ao do líder na primeira volta.

Na prova que encerra a presença portuguesa no Rio2016, David Rosa, 23.ª em Londres2012, não chegou a completar a segunda volta, após ter partido a roda traseira.
David Rosa frustrado e Tiago Ferreira lamenta azar
David Rosa não escondeu hoje a sua frustração por ter sido forçado a abandonar a prova de cross country olímpico (XCO) do Rio2016, garantindo que se não houvesse a regra dos 80% teria lutado até "partir o motor".

"Uma coisa é certa: eu não ia desistir. Fosse como fosse, até com uma queda, eu não ia desistir. Lá está, troquei a roda e pela regra dos 80 % fui mandado encostar. Passa muita coisa pela cabeça, mas a primeira é frustração", disse.

O português, que partiu a roda traseira, foi peremptório ao asseverar que teria ficado em prova até ao final se não existisse a regra que determina o afastamento dos corredores com um tempo de atraso superior em 80% ao do líder na primeira volta.

"Ia ser até 'partir o motor'. Eu queria sair daqui sem arrependimentos. E agora tenho um misto de sensações: sei que não foi culpa minha, sei que foi um problema mecânico que eu não podia antever. Não bati em lado nenhum, mas o que é facto é que sair daqui sem ter dado tudo é de uma frustração total", explicou.

Logo a seguir à zona técnica, David Rosa partiu a roda de trás. "Ficou completamente destruída. Nem sequer dava para ir em cima da bicicleta e deixá-la rolar, não havia hipótese. Tive de fazer meia volta com a bicicleta à mão, ainda para mais a parte mais dura, que antecede a subida e descida mais longas. Com ela à mão, ao ombro, à mão. Como é lógico, perdi muito tempo", descreveu, com marcas visíveis do esforço sobre-humano nas pernas e mãos.

O leiriense, de 29 anos, contou que não embateu em qualquer obstáculo, apontando antes uma questão de torção para justificar a avaria.

"Quando estou a fazer uma curva, provavelmente foi a força lateral. Eu ouvi um barulho e provavelmente foi o aro a ceder. Eu depois, logo a seguir, tentei pedalar, mas a bicicleta não andava. Eu aí já sabia que era correr o mais rápido possível até à zona técnica. Foi precisamente isso que eu fiz. Desistir estava fora de questão. De forma alguma ia desistir", assegurou.

O corredor nacional, que tinha planeado fazer uma corrida de trás para a frente, ocupava a 14.ª posição quando o infortúnio aconteceu.

"Sabia que ia ser uma prova muito tensa, que ia haver confusão no início e estava a preparar-me. Estava a fazer linhas alternativas, por saber que ia haver essa confusão. Estava a ganhar lugares com essas linhas. Penso que termino a primeira volta em 20.º lugar. Se eu no início da terceira já estava em 14.º e não me estava a sentir a quebrar... estava a fazer uma prova completamente limpa, sem erros. Vir aqui e, depois de quatro anos de trabalho, partir uma roda, sem ter hipótese de depois recuperar, é de uma frustração enorme", reforçou.

Desalentado, Rosa chegou mesmo a garantir que preferia ter sido forçado a abandonar devido a uma queda, uma vez que se isso acontecesse o erro seria seu.

"Mas quando é uma avaria desta, principalmente quando eu estava a fazer uma prova com cautela, já para não ter problemas técnicos, porque havia muita gente a arriscar e a pagar por esses riscos... se fosse uma queda, teria de continuar. Agora, assim, é frustrante, é muito mau", lamentou.

Enquanto falava com os jornalistas, o português, que em Londres2012 foi 23.º na estreia olímpica, não conseguiu abstrair-se da corrida que seguia sem ele - "olha, o belga com quem eu ia está em 11.º" -, assumindo que o que estava a viver era uma tortura.

"Agora é tortura durante quatro anos. É o "e se" isto e aquilo. Ainda por cima, sei que estou na minha melhor forma de sempre. Sei que estava a fazer uma prova limpa, sem erros, com relativa frescura física, porque aqui ninguém vai fresco. Mas eu sabia que, mesmo com as condições em que a pista estava - eu não sou um corredor para provas de lama -, estava a dar-me muito bem", sublinhou.

Tiago Ferreira lamentou azar 

Tiago Ferreira lamentou hoje não ter podido concluir a sua estreia olímpica e concretizar os objectivos portugueses na prova de cross country olímpico (XCO) do Rio2016, mas recordou que regras são regras.

"São regras. Infelizmente não conseguimos completar a corrida na volta do vencedor. A regra não é nova, já sabemos que pode acontecer. Sabíamos que a corrida sem azares seria dura e complicada, tendo estes problemas torna-se quase impossível de acabar. É uma pista super rápida. Se perdermos dois, três minutos com um problema técnico, já sabemos que vai dificultar terminar ainda mais na volta do vencedor", explicou o corredor de BTT.

O português foi mandado encostar na quinta volta com base na regra que determina o afastamento dos corredores com um tempo de atraso superior em 80% ao do líder na primeira volta, depois de ter sido vítima de uma perda de pressão num pneu.

"Numa das zonas que estava mais escorregadia, uma trajectória mal feita fez com que perdesse pressão no pneu da frente. Creio que o pneu descolou ligeiramente e fez com que eu perdesse ar, não fiquei furado na totalidade, mas impediu-me de fazer as zonas técnicas e os saltos com aquele pneu, porque iria arriscar uma queda. O trocar de roda foi rápido, o problema foi fazer dois quilómetros da pista com o pneu praticamente vazio", explicou.

Sem ter conseguido completar a sua estreia olímpica, Tiago Ferreira assumiu que, no que depender dele, vai trabalhar para assegurar que haverá representação nacional no XCO em Tóquio2020.

"A competição é dura em todas as corridas, nesta em que estão os 50 melhores do mundo, sabemos que a corrida está muito mais seleccionada, é mais rápida. Sabemos que toda a gente se prepara o melhor possível para estar bem aqui. Nós fizemos o mesmo, infelizmente não conseguimos ter o resultado que queríamos e cumprir os objectivos que tínhamos. Ninguém vem para aqui brincar para ficar nos 80%, nem para ser eliminado. Damos o nosso melhor. São dias maus, infelizmente faz parte do desporto e da nossa vida", lamentou.

O campeão mundial de maratonas quer agora continuar a trabalhar, "porque a vida não acaba aqui", e há muita temporada ainda pela frente.
Chefe de missão faz balanço "positivo" e sente-se "extremamente orgulhoso"
O chefe de missão, José Garcia, manifestou-se hoje "extremamente orgulhoso" com a comitiva que liderou, fazendo um balanço "positivo" da prestação de Portugal nos Jogos Olímpicos Rio2016.

"O balanço é positivo. Temos a melhor prestação de sempre em termos de resultados nos seis primeiros. Dez atletas conseguiram, nas competições em que participaram, estar ao mais alto nível", frisou José Garcia.

O ex-canoísta destacou, naturalmente, o bronze no judo: "Temos uma medalha da Telma Monteiro, uma medalha merecida, não só porque ela tem um currículo desportivo extremamente rico, mas porque comprovou o seu nível".

Telma ficou no topo da pirâmide, mas muito mais foram os destaques, já que, "em 58 competições", a missão logrou outros resultados de "muita relevância", com destaque para os "10 entre os seis primeiros, dobrando os cinco de Londres2012".

Recorrendo à estatística, José Garcia lembrou também as 19 classificações no top 10, e mais 13 até aos 16 primeiros, e que "dos 91 atletas, 29 regressam a casa com diploma, 38 saem no top 10 e 50 na posição de semifinalistas", destacando ainda "os vários jovens que vieram pela primeira vez".

"Isto é alto rendimento e queremos sempre mais. Essa é a nossa postura e a dos atletas, mas temos de valorizar o que conquistámos. Nós melhorámos em relação ao passado, estes resultados nunca foram atingidos", frisou.

Em termos de medalhas, Telma foi a única a consegui-lo, mas José Garcia lembra que Portugal só conseguiu "duas medalhas por cinco vezes e três em duas ocasiões".

"Devíamos ter ganhado duas medalhas (de acordo com as contas de que 25% dos apoiados deviam chegar ao pódio) e tudo fizemos para que isso acontecesse. Temos de assumir que esse número não foi atingido, mas tudo fizemos, os atletas em particular, para conseguirmos honrar esse compromisso", frisou.

Ainda assim, José Garcia é da opinião que se registaram progressos: "Melhorámos no global e é isso que pretendemos, que a equipa cresça, se fortaleça e faça destas missões cada vez melhores. Todos eles, independentemente do que conquistaram, tentaram fazer o melhor para a sua modalidade e para Portugal."

José Garcia lembrou também que tinha dito que gostaria de ver todos os atletas fazerem os seus melhores resultados, o que aconteceu em algumas modalidades e "é importante", mas também vincou que há outros que têm outras condições.

"Portugal não reúne as melhores condições para os atletas, comparados com outros países, mas aquilo que se faz, faz-se bem e há alguns resultados de excelência e estou muito orgulhoso destes atletas", garantiu.

A esperança em melhorias existe: "Tenho sempre esperança no futuro, senão não andava cá. A verdade é que melhorámos em relação a Londres2012, na minha perspectiva. Estivemos tão perto de uma segunda medalha, com um quarto lugar, com uma série de quintos lugares e de sextos."

Conseguir mais é entrar, porém, "no foro político", sendo que "caberá à secretaria de Estado do Desporto e Juventude, ao IPDJ, ao Comité, às federações, aos treinadores, aos atletas definirem o melhor caminho para o desporto em Portugal. Os políticos pronunciar-se-ão sobre essa matéria".

"Eu sou chefe de missão neste momento. Espero que os nossos atletas tenham o que merecem, porque são excepcionais e porque mais de 65% conseguem combinar a sua carreira desportiva de excelência com carreiras académicas de excelência. Isto deve ser usado como exemplo para todos nós, temos de estar orgulhosos", reafirmou.

José Garcia deu como exemplo o caso de Rui Bragança, "um jovem de 24 anos que está no sexto ano de medicina e era o sexto do 'ranking' olímpico".

"Temos algumas coisas a melhorar e isto é alto rendimento. Os atletas, e tivemos lágrimas de alegria e lágrimas de tristeza, a este nível nunca estão satisfeitos. Tivemos vários casos de atletas que conquistaram três medalhas, uma de prata e duas de bronze, e não ficaram satisfeitos, porque queriam uma de ouro", lembrou José Garcia.

Mas, segundo o chefe da missão portuguesa, nem tudo tem a ver com resultados.

"Temos uma equipa fabulosa e fiquei extremamente orgulhoso de liderar uma missão como esta. Estamos imbuídos num espírito de união, de amizade e de honra. Todos nós estamos extremamente orgulhosos de representar Portugal. Estamos aqui genuinamente portugueses e aquela bandeira quando sobe faz-nos tremer efectivamente. Quando o hino toca, emociona-nos, mas empurra-nos para a frente, para fazermos melhor", finalizou.
A participação de Portugal nos Jogos Olímpicos ainda não terminou. Este domingo, 21 de Agosto, último dia dos Jogos, Portugal participaram dois atletas na maratona masculina. Ricardo Ribas e Rui Pedro Silva terminaram a prova acima do 100.º lugar.

David Rosa e Tiago Ferreira não terminaram a prova de ciclismo BTT - XCO. 

Terminará aqui a participação nacional nos Jogos. A cerimónia de encerramento acontecerá a partir da meia noite em Portugal, tendo o Comité Olímpico já comunicado que Telma Monteiro será a porta-estandarte portuguesa. Em comunicado o Comité explica que a escolha foi feita pelo chefe de missão, José Garcia, que justifica "esta decisão pelo facto de a atleta ter conquistado a medalha de bronze para a delegação portuguesa". Telma Monteiro já tinha sido porta-estandarte na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos Londres 2012.

A missão portuguesa faz um balanço positivo desta participação.
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