Acções do RBS perdem mais de 7% após resgate governamental
As acções do Royal Bank of Scotland estão a perder mais de 7% depois de ser conhecido que o banco vai receber uma nova ajuda governamental de 28,3 mil milhões de euros. No total, o RBS já recebeu, desde o início da crise financeira, 74,2 mil milhões de dólares do Executivo de Gordon Brown, mais do que qualquer outro banco no mundo.
O Executivo britânico anunciou esta manhã que vai voltar a injectar capital em alguns bancos do país. O mais "beneficiado" é o RBS que vai receber 28,3 mil milhões de euros de um total de 35 mil milhões de euros.
O Governo, que já controlava o RBS, passa agora a deter 84,4% do banco. As acções reagiram em forte queda a esta notícia, tendo já perdido 7,5%. Os títulos seguem agora a recuar 7,08% para negociarem nos 35,915 pences.
Com o resgate de hoje o RBS passa a ser o banco que mais ajudas governamentais recebeu desde o início da crise financeira. No total, já foram injectados no banco 74,2 mil milhões de dólares. Em segundo lugar surge o Freddie Mac que recebeu 50,7 mil milhões de dólares, seguido pelo Citigroup, a quem o governo norte-americano deu 45 mil milhões de dólares.
Na lista dos bancos que mais ajudas governamentais receberam surge também o Lloyds Banking Group, que hoje recebeu mas 5,8 mil milhões de libras, ou 6,4 mil milhões de euros.
No entanto, ao contrário do que aconteceu com RBS, o Governo não vai ficar com a maioria do capital já que o banco optou por realizar um aumento de capital de 21 mil milhões de libras (23,3 mil milhões de euros).
Maior concorrência no sector bancário
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, acredita que as ajudas anunciadas hoje vão permitir "aumentar a concorrência no sistema bancária britânico". Esta opinião é partilhada pelo
ministro das Finanças britânico. Alistair Darling espera que esta medida provoque a entrada de três novos bancos no sistema financeiro do país, que assim passará a ser "mais competitivo".
A medida do Governo prevê ainda que os bancos vendam alguns dos seus activos. Por exemplo, o RBS vai alienar o negócio segurador, Global Merchant Services e a sua participação na Sempra Commotities, bem como as operações de banca na Escócia e Inglaterra e do NatWest na Escócia.
Esta decisão já provocou críticas por parte dos sindicatos que temem novos despedimentos no sector bancário. O sindicato Unite estima que a venda de activos dos bancos britânicos leve ao despedimento de 25 mil pessoas. "Não podemos aceitar uma situação destas: em que 25 mil trabalhadores pagam o preço pelos executivos", disse o secretário-geral do Unite, Rob MacGregor.
Em 2008, o RBS e o Lloyds receberam uma injecção de dinheiros públicos de 37 mil milhões de libras (41,1 mil milhões de euros). Desta vez o Governo definiu que os dois bancos estão proibidos de pagar bónus em dinheiro aos empregados com um salário acima de 39 mil libras (43,3 mil euros) por ano.