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Alerta de excesso de oferta no setor faz Maersk tombar mais de 15%

O conflito no Mar Vermelho tornou o transporte de carga marítima mais caro, mas a Maersk diz que não é suficiente para anular o grande problema que o setor enfrenta: o excesso de oferta de contentores. O número de navios deve continuar a aumentar em 2024 e 2025.

maersk
maersk Amr Abdallah Dalsh / Reuters
08 de Fevereiro de 2024 às 13:22

Apesar do conflito no Mar Vermelho ter feito subir os preços do transporte marítimo de carga, o gigante Maersk diz que 2024 vai ser um mau ano, antecipando um tombo nos lucros maior do que o esperado. O motivo, diz a empresa, é o excesso de oferta no setor do transporte de contentores.

O alerta fez as ações da transportadora cairem a pique: esta quinta-feira, a Maersk chegou a desvalorizar mais de 16%, anulando todos os ganhos conseguidos desde o início dos ataques no Mar Vermelho, em meados de dezembro. A empresa dinamarquesa suspendeu mesmo, segundo a Bloomberg, o seu programa de recompra de acções, contrariando o otimismo que os investores têm demonstrado em relação a este setor, um dos que tem tido melhor desempenho em bolsa este ano.

Tal como outras empresas, a Maersk tem desviado os seus navios, e modo a evitar o Mar Vermelho e os ataques dos houthis. Em alternativa, as embarcações contornam o continente africano. A rota mais longa e demorada fez subir o preço dos fretes.

Cerca de um terço da frota da Maersk - que controla um sexto do comércio mundial de contentores por via marítima - foi afetada pelo conflito no Mar Vermelho, com alguns navios a serem alvos diretos de mísseis dos rebeldes. A empresa dinamarquesa estima que a situação se mantenha durante um ano.

Estes ataques fizeram abrandar o transporte de carga neste canal marítimo, uma situação que o CEO da Maersk diz ter mascarado temporariamente um problema global de excesso de oferta. "Com o passar do tempo, há tanta tonelagem nova, que acabará por sobrecarregar a tonelagem que é utilizada nestas rotas mais longas, mesmo que esta situação se mantenha durante um ou dois anos", disse Vincent Clerc, em entrevista à Bloomberg TV.

A Maersk estima que a frota global de transporte de contentores cresça 12% a 13% este ano. O mesmo volume é esperado em 2025, o que vai representar um desafio ao setor. O conflito no Mar Vermelho "nem sequer se aproxima do impacto" na subida dos preços que tiveram eventos como a pandemia. "Simplesmente não tem esse potencial", comentou Clerc.

Já em novembro, a empresa dinamarquesa tinha alertado para o problema do excesso de oferta, que antecipava vir a prejudicar o setor por vários anos. Na altura, recorda a Bloomberg, anunciou 10 mil despedimentos para poupar 600 milhões de dólares.

Para participar no Fórum do Caldeirão de Bolsa dedicado à insegurança no Mar Vemelho clique aqui.

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