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Associação Comercial do Porto propõe 'plano B' na TAP com apoio à criação de rotas

O presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), Nuno Botelho, disse não acreditar que um novo plano de atividade da TAP reponha, tal como é pedido na providência cautelar que a associação interpôs e "que continua ativa", os 80% da operação do Aeroporto do Porto na era pré-covid, o que motivou a apresentação deste plano alternativo.

Lusa 03 de Julho de 2020 às 13:53
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A Associação Comercial do Porto apresentou hoje um 'plano B' para a TAP que contempla um programa de apoio à criação de rotas, de 20 milhões de euros anuais, a repartir pelos aeroportos do Porto, Faro, Açores e Madeira.

Numa conferência de imprensa esta manhã, o presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), Nuno Botelho, disse não acreditar que um novo plano de atividade da TAP reponha, tal como é pedido na providência cautelar que a associação interpôs e "que continua ativa", os 80% da operação do Aeroporto do Porto na era pré-covid, o que motivou a apresentação deste plano alternativo.

"Continuo a achar que não vai haver grandes rotas para o Porto (...). Podem dizer o que quiserem, mas a verdade dos factos é esta: a TAP vai ser mais deficitária do que nunca, vai ter mais problemas do que nunca e, portanto, a TAP vai concentrar a sua operação num só 'hub'. Vai reduzir rotas, vai reduzir funcionários, é uma questão quase matemática, é impossível, não estica", afirmou.

Nuno Botelho deixou claro que, no entender da ACP, o Aeroporto do Porto tem capacidade para albergar mais companhias do que aquelas que tem hoje, não podendo "ficar pendurado" à espera de que um dia a TAP resolva começar a operar normalmente naquela infraestrutura.

"Nesse sentido, o que nós estamos a dizer, de forma muito clara ao Governo e à TAP é: então façam o vosso trabalho a partir de Lisboa, estejam para lá, mas deixem-nos de uma vez por todas sós, de uma vez por todas em paz e que possamos ser nós a captar as rotas, criar e fidelizar os clientes, as companhias, e podemos começar a trabalhar efetivamente", declarou, acrescentando que, para isso, é necessário dinheiro.

A proposta de reestruturação da TAP defendida pela Associação Comercial do Porto assenta no pressuposto de que a companhia aérea concentrará a sua operação em Lisboa, aplicando-se para os outros aeroportos nacionais um Programa de Apoio à Criação e Desenvolvimento de Rotas para diminuir os custos de contexto no acesso aos diferentes territórios e incentivo à exploração de novos mercados.

Com uma dotação orçamental de 20 milhões de euros anuais, a verba que já está prevista no Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) de 2020, deve ser repartida pelos aeroportos do Porto, Faro, Açores e Madeira, "uma parte com base nos movimentos, outra como forma de incentivo ao crescimento".

Para a ACP, esta dotação e este mecanismo exclui o aeroporto de Lisboa, "onde está concentrada toda a operação da TAP".

A associação defende ainda que a dotação anual regional deve ser gerida pela Agência de Promoção Externa de cada uma das regiões, no caso do Norte a Associação de Turismo do Porto e Norte, organismos que têm total autonomia de decisão na aplicação das verbas do mecanismo do Fundo do Turismo que recebem.

A ACP salienta ainda que, com esta proposta alternativa, não são criadas novas entidades, novos encargos ou nova despesa pública.

"As entidades já existem, o dinheiro está previsto e é, no nosso entender, uma forma ágil, simples, de fazer justiça ao todo nacional. Volto a dizer tenho muita preocupação com esta questão da TAP, não concordamos com a solução encontrada, achamos que isto vai ser mais um Novo Banco", disse, acrescentando que o problema da TAP "é uma caixa negra" que o país só vai tomar conhecimento do se passa quando se "despenhar".

Na conferência de imprensa, Nuno Botelho recordou que o Grupo TAP apresenta ao longo dos últimos anos resultados líquidos negativos consecutivos, sendo a operação no Brasil a principal responsável.

Nuno Botelho considera que a viabilização do Grupo TAP deveria ser resolvida com e pelo governo brasileiro, dado que os grandes problemas estão concentrados nas brasileiras Aeropar e na TAP M&E.

"Não vejo ninguém discutir dos 1,2 mil milhões o que vai para o Brasil, ou o que já foi e o que fica em Portugal", disse, considerando que a forma como o Estado está a entrar no capital da companhia aérea nacional "vai financiar duas empresas que estão em solo brasileiro e que pagam impostos no Brasil, e que são a razão de ser para a ruína que é o Grupo TAP".

O Governo anunciou na quinta-feira que chegou a acordo com os acionistas privados da TAP, ficando com 72,5% do capital da companhia aérea, por 55 milhões de euros, com a aquisição da participação (de 22,5%) até agora detida por David Neeleman. O empresário Humberto Pedrosa detém 22,5% e os trabalhadores os restantes 5%.
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