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Concorrência pelas melhores empresas baixa custo do crédito

Depois de três anos a reduzirem as carteiras de crédito, bancos estão empenhados no aumento do financiamento às empresas. O sector exportador é o mais disputado. Concorrência tem feito baixar os spreads cobrados

NAO USAR
NAO USAR Bruno Simão/Negócios
27 de Janeiro de 2014 às 23:08

A concorrência entre bancos pela concessão de crédito às melhores empresas está, pela primeira vez desde 2011, a levar o sector financeiro a reduzir os "spreads" cobrados a estes clientes. Depois de quase três anos a reduzirem as suas carteiras de financiamento, desde os últimos meses do ano passado que as instituições financeiras têm procurado aumentar a concessão de crédito. E como o movimento é comum a todo o sector, a disputa pela captação das empresas tem contribuído para reduzir os custos de financiamento, como têm reconhecido o Banco de Portugal e as empresas.

Não é por acaso que este processo se acentuou nos últimos meses. Depois da chegada da troika, na Primavera de 2011, a prioridade do sector foi desalavancar. Ou seja, reduzir o desequilíbrio entre os depósitos captados e o crédito concedido, situação comum à generalidade do sector financeiro. Este esforço foi conseguido travando a concessão de empréstimos, vendendo carteiras de crédito e captando depósitos.

Foi assim que o rácio de transformação - que mede o peso do crédito nos depósitos - da banca portuguesa passou de quase 160% em 2010 para cerca de 120% no final de Setembro do ano passado. Uma meta que a troika queria que o sector atingisse no final deste ano.

A partir do momento em que os objectivos de desalavancagem começaram a ser alcançados, a banca voltou a apostar na concessão de crédito. Mas privilegiando o financiamento a empresas de sectores transaccionáveis, que têm demonstrado maior dinamismo. A concentração de esforços neste segmento de clientes deve-se também ao facto de, segundo as novas regras internacionais sobre exigências de solidez, o crédito a estas sociedades ser considerado menos arriscado, penalizando menos a solvabilidade dos bancos.

Noutras áreas de actividade, como a construção e o imobiliário, a palavra de ordem continua a ser desalavancar. Ou seja, reduzir a exposição às empresas deste sector.

 
Grandes bancos reduziram peso do crédito nos balanços

CGD próxima do equilíbrio entre crédito e depósitos

A CGD foi dos bancos que mais rapidamente atingiu a meta de 120% para a relação entre crédito e depósitos. O rácio de transformação continuou a baixar, ficando em 107% no final de Setembro. A situação de quase equilíbrio resultou, sobretudo, da subida dos depósitos.

BCP já cumpre exigência da troika

O BCP era um dos bancos com um nível de alavancagem mais elevado, já que o seu rácio de transformação chegou a superar os 160% em 2010. Com a venda de créditos e a captação de depósitos, o banco já praticamente atingiu a meta de 120% definida pela troika.

BES é o mais atrasado na desalavancagem

Com um rácio de transformação de 129% no final de Setembro, o BES é o mais atrasado entre os cinco maiores bancos no processo de desalavancagem. O rácio de transformação fixou-se em 129% no final de Setembro.

BPI é o único dos grandes abaixo de 100%

O BPI é o único dos cinco grandes bancos portugueses com um rácio de transformação abaixo de 100%. No final de Setembro, o BPI tinha mais depósitos do que crédito concedido. É que ainda antes das exigências da troika, o banco começou a desalavancar.

Santander tinha maior alavancagem mas baixou-a

Era o banco com o rácio de transformação mais elevado no final de 2010, já que o crédito representava quase 185% dos depósitos. A venda de carteiras de crédito e a captação de depósitos baixaram aquele indicador para pouco mais de 127% em Setembro.

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