Empresas Costa ataca política salarial das empresas: "Nenhuma empresa vive dos CEO"

Costa ataca política salarial das empresas: "Nenhuma empresa vive dos CEO"

Na entrevista ao Expresso, António Costa ataca os salários pagos pelas empresas, nomeadamente a diferença salarial em empresas no PSI-20 entre o ordenado mais alto e o salário mínimo. Fala, em concreto, do caso da EDP.
Costa ataca política salarial das empresas: "Nenhuma empresa vive dos CEO"
André Kosters/Lusa
Negócios 11 de agosto de 2018 às 20:14
É inaceitável a política salarial das empresas. Quem o diz é António Costa, primeiro-ministro, em entrevista ao Expresso.

Explica porque diz isto. Se no Estado o salário do Presidente da República é 17 vezes o salário mínimo e cinco vezes o médio, nas empresas do PSI-20 "a diferença entre o ordenado mais alto e o salário mínimo é de 100 vezes e, relativamente ao salário média, é de 37 vezes".

Mas vai mais longe e dá o exemplo da EDP, onde o salário de topo é 210 vezes o salário mínimo. "Não é aceitável esta disparidade e o desinvestimento que as empresas fazem nos quadros jovens".

Estes valores foram dados por António Costa quando falava na necessidade dos jovens qualificados regressarem ao país, prometendo no Orçamento medidas para os atrair. Mas "as empresas têm de perceber que têm de alterar estas estruturas salariais. Não é possível pagarem tanto a quem está no topo e tão baixo a quem está nos outros escalões".

"Nenhuma empresa vive dos CEO", acrescenta, ainda, para concluir que as empresas "vivem da qualidade dos seus quadros intermédios".

Segundo um trabalho realizado pelo Negócios, em 2017, os CEO das empresas que integram o PSI-20 auferiram uma remuneração de mais de 18,2 milhões de euros no ano passado, mais 14,5% que em 2016.



No conjunto das 18 empresas analisadas pelo Negócios, a remuneração média dos CEO (presidente executivo) – sendo que em algumas empresas estes acumulam o cargo com o de "chairman" – cifrou-se em cerca de 830 mil euros no ano, quase 38 vezes superior ao custo médio por trabalhador do total destas empresas (21.936 euros). 



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