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Crise financeira "custou" 292 milhões ao BES em 2008

A crise financeira internacional penalizou os resultados do Banco Espírito Santo (BES) em mais de 292 milhões de euros, tendo em conta os custos directos e indirectos reflectidos nas contas do ano passado. A quase totalidade destes impactos negativos foi compensada com as mais-valias de 289 milhões de euros realizadas com a venda de acções.

Maria João Gago mjgago@negocios.pt 03 de Março de 2009 às 00:01
A crise financeira internacional penalizou os resultados do Banco Espírito Santo (BES) em mais de 292 milhões de euros, tendo em conta os custos directos e indirectos reflectidos nas contas do ano passado. A quase totalidade destes impactos negativos foi compensada com as mais-valias de 289 milhões de euros realizadas com a venda de acções.

Os dados constam do relatório e contas da instituição liderada por Ricardo Salgado referente ao ano passado, que vai ser submetido à assembleia geral de 16 de Março. O documento inclui um capítulo relativo à crise financeira que, sublinha o o banco, "assumiu proporções gigantescas".

Em termos de custos directos, o maior prejuízo decorrente da turbulência financeira resultou da exposição do BES à falência do banco de investimento Lehman Brothers, que originou perdas de 67,8 milhões. Isto porque o banco português tinha obrigações do banco norte-americano que faliu em meados de Setembro. Mas a instituição também teve de reconhecer perdas decorrentes do colapso do sistema financeiro islandês e da fraude promovida por Bernard Madoff.

Já os encargos indirectos da crise totalizaram, segundo o banco, 218,5 milhões de euros. Houve "um agravamento no custo dos recursos em 19,2 milhões", foram registadas perdas em activos associados a títulos de 9,4 milhões de euros, deu-se o "reconhecimento de imparidade na carteira de títulos que se reflectiu num reforço de provisões em 58,1 milhões" e a apropriação de "um prejuízo de 37,8 milhões fortemente influenciado pela desvalorização de títulos da BES Vida".

Já a reavaliação de activos contabilizados ao justo valor gerou perdas de 94 milhões que foram mais do que compensadas pelos "ganhos decorrentes da reavaliação do passivo contabilizado ao justo valor, no montante de 96,7 milhões".

No total, e em termos líquidos, o grupo de Ricardo Salgado perdeu 292,1 milhões de euros com a crise financeira internacional. Um impacto que foi praticamente anulado com os ganhos realizados com a venda de acções do Bradesco, da EDP e da Portugal Telecom.

A alienação de parte da posição que o BES tinha no banco brasileiro, títulos adquiridos pela BES Vida (detida em 50% pelo banco), proporcionou uma mais-valia de 262,1 milhões de euros. Já a venda de títulos da eléctrica rendeu 18,8 milhões, enquanto a alienação de acções da PT gerou ganhos de 8,1 milhões.

Subtraídas as mais-valias identificadas pelo banco no seu relatório e contas, o impacto negativo total da crise financeira nos resultados do BES em 2008 foi de apenas 3,1 milhões de euros. Esta compensação aliviou a queda dos lucros da instituição, que recuaram 33,7%, para 402 milhões de euros.

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