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Itaú já controla 16,4% do capital do Banco BPI

Os brasileiros do Itaú mexeram, já no início deste ano, na posição que detinham no Banco BPI, aumentando-a dos anteriores 16,1% para 16,4%, ou mais 2,28 milhões de acções, segundo o relatório e contas do banco de 2005. Este movimento custou-lhes 8,8 milhõ

Bárbara Leite 15 de Março de 2006 às 07:00
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Os brasileiros do Itaú mexeram, já no início deste ano, na posição que detinham no Banco BPI, aumentando-a dos anteriores 16,1% para 16,4%, ou mais 2,28 milhões de acções, segundo o relatório e contas do banco de 2005. Este movimento custou-lhes 8,8 milhões de euros, ficando por apurar os motivos desta ampliação em 2006.

Ninguém do Itaú esteve disponível, nestes últimos dois dias, para comentar esta e outras informações que surgiram no âmbito da oferta lançada pelo Banco Comercial Português (BCP), como a intenção do ofertante em mantê-lo na sua estrutura accionista.

O segundo maior banco privado brasileiro é um dos accionistas de referência do banco português e nos últimos anos, não tem mexido na sua posição. Por isso, este recente reforço pode suscitar várias interpretações, entre elas, a possibilidade do Itaú ter conhecimento antecipado da oferta do BCP e querer realizar um maior encaixe.

Neste caso, só com este reforço, o banco ganharia 4,2 milhões de euros se vendesse ao preço oferecido pelo banco liderado por Teixeira Pinto. Sabia da oferta e, começou a preparar uma contra-oferta ou a modelar uma defesa à proposta. Ou ainda, não sabia e, quis aumentar a posição porque lhe agradou o desempenho do banco português.

Desempenho esse que é citado nas contas de 2005 do Itaú Europa como uma das credenciais para a melhoria dos lucros da participada portuguesa em 2005. No ano passado, o Itaú Europa, sociedade criada em Portugal para as relações comerciais e de investimentos com clientes da União Europeia e brasileiros com interesse neste continente, atingiu lucros líquidos de 42,2 milhões de euros, mais 40,8% do que o registado em 2004.

O produto bancário do Itaú Europa chegou aos 70,7 milhões de euros, um incremento de 47,4% face ao ano anterior. Na Europa, o banco tem sucursais em Londres e na ilha da Madeira e agência no Luxemburgo. Mas o banco brasileiro não marca presença só na Europa, tem vínculos nos Estados Unidos, Japão, Paraguai, Uruguai e Argentina. O investimento consolidado no estrangeiro, em 2005, atingia os 6,5 mil milhões de reais (2,55 mil milhões de euros).

Estratégia

A família Setúbal, donos do Itaú, não tem comentado sobre a estratégia internacional. A posição no Banco BPI é detida 51% através do Itaú Europa e os restantes 49% através do Itaúsa, donos do Itaú e têm a família Setúbal como principal accionista.

Na apresentação de resultados de 2005, no entanto, destacaram o foco em 2006 no mercado doméstico que, seria a aposta na expansão orgânica dos negócios clássicos e a pretensão da evolução da carteira de crédito em 25%. 2005, foi para o Itaú, como para o restante sector bancário, ano de lucros recorde de 5,251 mil milhões de reais (2,06 mil milhões de euros), mais do dobro do registado pelo português BCP.

Todavia, apesar da expressiva dimensão no mercado interno, os bancos brasileiros têm na expansão internacional um instrumento para auxiliar os investidores brasileiros no exterior ou de estrangeiros no Brasil e não, um movimento estratégico de aposta noutros mercados.

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